Além da Notícia
Atualizado em: 28/10/2013 - 1:27 pm

Fui, sou e sempre serei a filha do Lulinha.

Fui, sou e sempre serei a filha do Lulinha.

É com muita dor que comunico a vocês que meu pai já não está mais fisicamente entre nós. Ele se foi às 19 horas deste domingo (27) com a certeza de que nunca um pai foi tão amado como ele.

Uma fibrose pulmonar intersticial foi diagnosticada dois anos atrás. A saída era um transplante de pulmão. E ele se preparava para isso. Sei que a burocracia do sistema de saúde, misturada com uma certa má vontade de uns e o desdém de outros acabou tornando o processo mais lento do que ele pode suportar. Mas também sei que Deus sabe o que faz e não vou deixar que a revolta se instale no meu coração. “Que seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu”.

Meu pai foi um guerreiro. Lutou muito contra a doença e mostrou força e uma fé fora do comum. Ele brigou para viver. E foi justamente a vontade de viver que ele sempre demonstrou que nos encheu de esperança por todos esses dias. Meu pai sempre foi um campeão. E até o fim nos deu muitos motivos para ter orgulho dele.

Meu pai foi um atleta. O melhor em campo no jogo de inauguração do estádio Castelão. Ídolo de duas torcidas. Professor adorado. Uma cara geração saúde. Com uma alimentação perfeita, ele praticou exercícios (com prazer) todos os dias da vida, até quando a doença permitiu.

Já perto do fim, meu pai, meu herói, não conseguia sair da cama para ir ao banheiro. Mudar a posição na cama, virar de lado, era um esforço que o deixava ofegante e o fazia perder o fôlego. Mesmo com a ajuda de oxigênio, utilizado 24 horas por dia.

Foi com muito sofrimento que acompanhamos a evolução da doença. Mas a nossa esperança por dias melhores renascia a cada momento em que ele olhava, apontava o dedo para o alto, como se indicasse que Deus estava no comando, e dizia “essa vitória é nossa”. Ele lutou. Até o último minuto.

Poucos suportariam as crises (próprias da doença) que ele enfrentou. E ele seguiu sem desistir. Até que precisou descansar.

E posso garantir a vocês que ele não perdeu. Não. Essa doença maldita não venceu. “Essa vitória é nossa”, como ele dizia. Meu pai venceu todos os dias durante os últimos dois anos. E nós vamos honrar a sua vitória. Ele não está mais aqui, mas o seu exemplo e a sua força estão com a gente.

Ele dizia que tinha orgulho da filha jornalista. Assim como tinha orgulho do Bruninho e do Peteleco, filhos admirados. Homens criados para ter o mesmo grande coração do pai. Somos, com orgulho, espelhos dele.

E o que dizer do grande amor da vida de meu pai? A nossa Jujú foi a mulher mais apaixonada, a eterna namorada. Tudo que um homem pode esperar de uma mulher. Nunca vi meus pais discutindo e ele sempre dizia, fosse para um estranho no caixa do supermercado, ou para as enfermeiras e auxiliares da UTI, “essa bicha linda é o amor da minha vida”. E era mesmo. Na verdade, ainda é. Porque amor assim não acaba.

Um dia todos nós vamos nos reencontrar. Segue em paz meu pai. A gente ainda vai ficar mais um tempo por aqui. Honrando a tua história e o teu nome.

Te amo meu pai. Fui, sou e sempre serei a filha do Lulinha.



6 comentários







6 comentários
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Inês Aparecida | domingo outubro 27 2013 | 21:42

Receba um abraço bem apertado.
Tenha certeza que a vida de seu pai continua.

Carla | domingo outubro 27 2013 | 22:00

Oi!!! Leio suas matérias praticamente todos os dias, mais considero essa a melhor de todas, onde vc relata com perfeição todo seu sentimento!!! Meus sentimentos!!!

nonato barboza | domingo outubro 27 2013 | 22:58

Senhora Kézia
Tenho 63 anos. Acompanhei a bela trajetória do seu pai, o Lulinha, quando ele defendia o Fortaleza, meu time de coração. Há algum tempo o encontrei em caminhadas no Parque do Cocó. Conversamos, relembramos seu tempo de Fortaleza quando eu ia até aos treinos do Tricolor para ver meus ídolos de perto, dentre eles o Lulinha, o que mais empolgava nós torcedores, com suas belas e espetaculares defesas. Ele me parecia bem saudável, disposto. Educado e atencioso. Padeço de uma cardiopatia que já me fez passar por muitos sufocos e preocupações da minha família – esposa, 4 filhos e 4 netos, além da minha mãe e meus 7 irmãos. Hoje orarei por Lulinha e espero que Deus o esteja recebendo na outra dimensão da vida. Espero que os seus entes queridos que já se foram antes dele, agora o recebam lá na nova morada e o confortem. Compreendo sua dor como filha e me junto como cristão solidário a essa sua perda física. Que Deus nos abençoe.

Alexandre | domingo outubro 27 2013 | 23:44

Meus sentimentos a toda família. Fui um grande fã de seu pai qdo. ele jogou pelo meu Ceará. Goleiro que nos dava grande confiança debaixo da trave , sentia um gde carinho pela figura cabeluda e simpática. Talvez por ainda ser criança, via naquela imagem uma pessoa a ser admirada. Fique certa, Kezya, que mais do que um espelho dele, vcs devem cumprir vossas missões de serem felizes; a maior realização de um pai é ver seus filhos felizes…
SDS
Alexandre Gondim

JOÃO ÁLCIMO VIANA | domingo outubro 27 2013 | 23:49

Prezada Kézya,

Meus votos de pesar pela partida do grande Lulinha (ídolo das duas maiores torcidas do Estado e grande goleiro e profissional). Tenho a grata lembrança que foi exatamente ele (Lulinha) o primeiro que acompanhei como goleiro do meu Vozão, em 1981, quando fomos BI. E que goleiraço!

Como torcedor do Ceará e fã do Lulinha, associo-me à dor da família. Abraços.

Antonio Evandro | segunda-feira outubro 28 2013 | 00:21

Prezada Kézya, vai aqui a nossa solidariedade a você e toda a familia.
São fatos que fazem parte de nosso viver, assim como um dia viemos a este mundo, noutro iremos embora. Faz-nos refletir que não somos donos de nossas vidas e menos de nossos entes queridos. Com a partida fica em nós a lacuna que somente o tempo fará com nos acostumemos, mas sempre carregará conosco a lembrança de quem tanto nos afagou e contribuiu para que crescêssemos e aprendêssemos a andar com os próprios pés.
Um grande abraço e que Deus abençoe você e toda a sua família e vos der conforto!