Entrevista
Atualizado em: 28/09/2018 - 11:25 am

‘As críticas a Bolsonaro têm que parar’, diz aliado de Alckmin

Em um exercício de autocrítica, o ex-governador da Paraíba e vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), considera que a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) errou ao fazer ataques ao adversário do PSL, Jair Bolsonaro, e defende uma mudança de rumo na fase final da campanha eleitoral.

“Em dado momento, a campanha do Alckmin se contrapôs ao eleitor histórico do PSDB. E isso precisa, nesta reta final, ser resgatado”, disse.

À reportagem, o tucano avalia que seu partido “não pode cometer o erro de achar que tem a fidelidade absoluta” do eleitorado tucano e que precisa recuperar o apoio de eleitores antipetistas, hoje com o capitão reformado.

PERGUNTA – Como vê o cenário atual da campanha?
CÁSSIO CUNHA LIMA – É uma campanha que, apesar de alguns indicadores apontarem para uma polarização entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, ainda acredito que exista um espaço para o crescimento da candidatura de Geraldo Alckmin.

P – Que erro o Alckmin poderia ter evitado?
CCL – De forma mais genérica, a partir do atentado, o Bolsonaro deixou de ser um simples candidato de carne e osso que você pode enfrentar e passou a catalisar um sentimento. Quando você passa a enfrentar um sentimento, ao bater no portador dessa ideia, você se confronta com os que acreditam naquilo, na mensagem. Então, em dado momento, a campanha do Alckmin se contrapôs ao eleitor histórico do PSDB. E isso precisa, nesta reta final, ser resgatado.

P – Se o senhor pudesse sugerir uma mudança de rota, qual seria?
CCL – A mudança que eu faria era uma concentração firme na nossa linha histórica de crítica ao PT.

P – E pararia com as críticas ao Bolsonaro?
CCL – Acho que, a esta altura, as críticas tem que [parar]. Até porque tem uma lógica de corrida. Se você está numa corrida de automóvel em terceiro lugar, para chegar ao primeiro, você, antes, tem que atravessar o segundo. Você não sai de terceiro para primeiro. Hoje você tem, faltando poucos dias para as eleições, um candidato que tem um voto muito cristalizado no primeiro turno, que é o Bolsonaro, e tem outro segmento que fala para a candidatura do Haddad. É preciso ultrapassar o Haddad. E como faço isso? Mostrando a este eleitor, que está indo para o Bolsonaro, que nós também somos anti-PT. Porque, na hora que você faz crítica ao Bolsonaro e faz crítica ao PT, você perde um pouco a hegemonia da polarização com o PT.

P – O Bolsonaro, então, tomou o lugar do PSDB nesta polarização esquerda-direita?
CCL – Ele ocupou um espaço, sobretudo depois da facada, quando deixou de ser um candidato. O brasileiro que está indignado com a corrupção e que está clamando por segurança pública se vê representado hoje na ideia e na concepção da candidatura do Bolsonaro. Quando você faz este enfrentamento a um sentimento, você está enfrentado uma ideia. E o eleitor se sente atacado também. E este eleitor já foi nosso. É este eleitor que precisamos recuperar até o dia 7.

Com informações da Folha



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