Banheiros Fantasmas
Atualizado em: 21/06/2012 - 2:19 pm

Representantes do Ministério Público Estadual durante entrevista à imprensa. Foto: Kézya Diniz

Durante entrevista coletiva à imprensa, na manhã desta quinta-feira (21), o Procurador Geral de Justiça, Ricardo Machado, reafirmou indícios do envolvimento do ex-presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago, no escândalo dos Banheiros Fantasmas. A investigação começou em setembro de 2009 e diz respeito a construção de 2.108 kits sanitários no município do Ipu. Na época, Jurandir Santiago comandava a Secretaria das Cidades.

De acordo com a investigação, Jurandir Santiago co-assinou convênios sem a devida fiscalização, na prática, autorizou a liberação de dinheiro público, cerca de R$3,1 milhões, para a construção de banheiros que nunca saíram do papel.

Distribuição do dinheiro
A maior parte desse dinheiro, cerca de R$2,8 milhões, foi sacado em espécie e transportado em sacolas. O restante do dinheiro, cerca de 350 mil reais, foram distribuídos através de transferências bancárias:

– R$ 126 mil depositados na conta de Sérgio Barbosa, apontado pelo Ministério Público como braço direito do prefeito Sávio Pontes;

– R$ 100 mil para a empresa Boa Vista do Posto de Gasolina que tinha, segundo a denúncia, Jurandir Santiago e outros sócios como proprietários;

– R$ 82 mil foram transferidos para uma empresa de factory usada como fachada para lavar dinheiro, de acordo com as investigações.

Indisponibilidade dos bens
Jurandir Santiago foi oficialmente incluído no rol de investigados na manhã desta quinta-feira (21). O Ministério Público também pediu a indisponibilidade dos bens e a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Jurandir Santiago e de outros oito acusados que são alvo de mandados de prisão desde a última segunda-feira (18). É o caso do prefeito do Ipú, Sávio Pontes, que continua foragido da Justiça.

BNB
Diante de toda a exposição negativa, Jurandir Santiago decidiu deixar a presidência do Banco do Nordeste na última terça-feira (19). Com a saída dele, quem assume o cargo interinamente é Paulo Sérgio Ferraro que também continua com a função de diretor de negócios do BNB.

Além de Jurandir Santiago, também deixaram o Banco, José Sydrião Alencar, que ocupava a direção de Gestão e de Desenvolvimento do BNB e era ligado ao deputado federal José Nobre Guimarães (PT); e o diretor de Controle e Risco, Isidro de Morais de Siqueira, que era da cota do PMDB.

Defesa
O advogado de defesa de Jurandir Santiago entregou ao Ministério Público cópia da carta na qual ele pede exoneração da presidência do BNB e o passaporte de Jurandir Santiago, como garantia de que ele não vai deixar o País. Manifestação que convenceu o Procurador Geral a não pedir a prisão preventiva como aconteceu com os outros insvetigados no processo.

Os acusados
As investigações do MP apontam indícios de envolvimento de pelo menos oito pessoas no caso dos Banheiros Fantasmas do Ipu. São eles:

Sávio Pontes (prefeito do Ipu), Roberto Eufrásio de Alencar (servidor público municipal), Tácito Guimarães de Carvalho (engenheiro, considerado o braço direito de Sávio Pontes), Eucélio Fernandes de Mesquita (presidente da Comissão de Licitações do Ipu), Fábio Castelo Branco (economista, ex-funcinário da Sec. das Cidades), Marcelino Cordeiro Maia (representante da empresa Construcon), Sérgio Barbosa (coordenador de habitação)

Crimes
Os supostos responsáveis pelo desvio de verba pública são acusados dos seguintes crimes:

Formação de quadrilha;
Falsidade ideológica;
Peculato;
Fraude a licitações;
E lavagem de dinheiro.

No caso de Jurandir Santiago, além dos crimes já citados, ele também é acusado de prevaricação.

Fora da Sociedade
O advogado Hélio Leitão, que responde por Jurandir Santiago, diz que a defesa ainda teve acesso ao teor da denúncia e adianta apenas que Jurandir Santiago não era mais sócio do posto de gasolina que recebeu os 100 mil reais do esquema que deviou dinheiro público.



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