Em Brasília
Atualizado em: 16/09/2012 - 10:29 am

Um abaixo-assinado apoiado por 43 senadores pede que seja autorizada a entrada dos integrantes do programa humorístico-jornalístico. A tramitação do pedido foi suspensa por ação do próprio presidente do Senado.

Barrado: Sarney atrasa pedido de acesso do CQC ao Senado. Foto: CQC

Há quase dois anos impedido de entrar no Senado, o programa humorístico-jornalístico CQC, da TV Bandeirantes, vive uma situação que, não estivesse registrada nos anais da Casa legislativa, poderia ser confundida com uma das piadas da atração. Tudo começou meio que na brincadeira, quando a equipe resolveu fazer entre os próprios senadores um abaixo-assinado para por fim à proibição – seguranças têm recomendação expressa para manterá a equipe do programa do lado de fora.

Brincadeira de gente grande
Iniciada de maneira informal, a lista de senadores dispostos a ajudar o CQC virou matéria formal sob apreciação da Mesa Diretora e, como tal, teve interrompida a sua tramitação. O motivo: o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu vista do processo para examinar os temos do “requerimento”.

Sem credencial
Sarney não esconde que é contra a atuação do CQC na sua proposta original – a sátira política, em que entrevistas com senadores, caracterizadas pelo humor escrachado, nem sempre são bem recebidas pelos entrevistados. Para o senador, pela quarta vez não consecutiva no comando do Senado, o CQC não faz um trabalho propriamente jornalístico e, por isso, não pode receber credencial permanente para entrar livremente, a qualquer instante, na Casa. Mesmo que alguns dos integrantes do programa tenham diploma de Jornalismo – a começar por Marcelo Tas, que comanda a trupe e tem longa carreira jornalística.

Roteiro
Mas o próprio regimento interno permite a atuação de produções como o CQC. O Ato da Mesa Diretora Nº 8 de 2010, que normatiza o processo de credenciamento, trata da possibilidade no capítulo “Da produção não jornalística”. O artigo 15 define três dias de antecedência para pedidos de credenciamento, que deve relatar “o conteúdo detalhado da produção e do pré-roteiro; a sua finalidade; a data e horário de sua realização; as dependências que serão utilizadas”, bem como a “cópia do RG, CPF, comprovante de residência e função dos profissionais que participarão da produção”. Formalidade que, em análise imediata, engessaria o formato do programa.

Desconforto
Muitas ocasiões evidenciam o desconforto de alguns senadores com a presença dos “homens de preto” do CQC. Em maio de 2005, o programa mostrou, com base em reportagem deste site, que oito dos 15 senadores do Conselho de Ética do Senado respondiam a processos no Supremo Tribunal Federal. Senadores com Roberto Requião (PMDB-PR), que também não assina a lista, e Renan Calheiros não gostaram nada abordagem do Custe o Que Custar – o nome do programa, menos conhecido do que a sigla.

Danilo x Renan
A partir do oitavo minuto do vídeo abaixo, o tempo fechou entre Danilo Gentili, que ainda integrava a equipe do CQC, e Renan. E dentro do elevador privativo: “Nomear o senhor para o Conselho de Ética é como nomear o Fernandinho Beira-Mar para a Secretaria Anti-Drogas?”, indagou Danilo. Renan, potencial próximo presidente do Senado, emudeceu.

Veja no vídeo abaixo:

[youtube]http://youtu.be/2vNIIxKpZe4[/youtube]

Com informações do Congresso em Foco



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