Lava Jato
Atualizado em: 27/07/2017 - 12:25 pm

Bendine pediu R$ 20 milhões em propina e tinha passagem só de ida para Portugal

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, preso nesta quinta (27) na 42ª fase da Lava Jato, tinha uma passagem só de ida para Portugal, para esta sexta-feira (28).

Essa foi uma das razões que justificou o pedido de prisão, segundo o Ministério Público Federal. Bendine também tem cidadania italiana, o que aumentava a possibilidade de fuga.

Portugal também era o destino de um dos operadores preso nesta quinta, André Gustavo Vieira da Silva -que foi preso na manhã desta quinta (27) no portão de embarque do aeroporto do Recife, quando tentava embarcar.

Propina
O ex-presidente da Petrobras é suspeito de solicitar R$ 3 milhões em propina para executivos da Odebrecht, a fim de proteger a empreiteira em contratos da estatal. Segundo os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, os pagamentos foram feitos em três parcelas, em espécie, em junho e julho de 2015 -dois deles, depois da prisão de Marcelo, em junho daquele ano.

Somando
Segundo as investigações, antes de receber os R$ 3 milhões, em 2015, Bendine pediu outros R$ 17 milhões de propina à Odebrecht quando ainda era presidente do Banco do Brasil. Em troca, ele atuaria para rolar uma dívida da Odebrecht Agroindustrial.

Prisão
Para os investigadores, as passagens para a Europa, somadas ao uso de aplicativos de mensagens que apagavam conversas entre os investigados (o que indica tentativa de destruição de provas), entre outros fatores, justificam o pedido de prisão.

Temporário
Bendine, André Gustavo e seu irmão, Antônio Carlos Vieira da Silva Jr, foram presos temporariamente nesta quinta (27). Antônio Carlos foi detido no Recife, ao sair para uma caminhada na praia, pela manhã.

Irmãos
Os irmãos foram operadores dos pagamentos a Bendine: foram eles que receberam os R$ 3 milhões em espécie, num apartamento em São Paulo. Eles também firmaram um contrato de prestação de serviços de consultoria com a Odebrecht, no valor exato da propina -contrato que os investigadores consideram ser fraudulento. Os dois tinham negócios em Portugal. A PF ainda investiga se eles operavam para outros agentes públicos ou políticos.

Defesa
Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Bendine, disse que o ex-diretor, desde o início das investigações, forneceu dados fiscais e bancários e “se colocou à disposição, […] demonstrando a licitude de suas atividades”. Segundo o defensor, a prisão temporária é “desnecessária, por se tratar de alguém que manifestou sua disposição de depor e colaborar com a justiça”.



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