Denúncia
Atualizado em: 11/03/2012 - 5:05 pm

Carlinhos Cachoeira

Reportagem da revista Veja que chega as bancas de todo o país neste final de semana mostra que Carlinhos Cachoeira, preso na semana passada em uma operação da Polícia Federal contra jogos de azar, abasteceu o caixa dois de uma campanha petista em Goiás.É o que revelam dois vídeos que circulam desde o início da semana entre políticos de Goiás com o flagrante de uma conversa entre o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) e o bicheiro.

Diálogos
No primeiro diálogo, Cachoeira oferece 100 000 reais para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra oportunidade.Na segunda conversa, a negociação do caixa dois de campanha fica ainda mais nítida. Cachoeira ensina ao petista – que concorda com todas as frases ditas – como proceder com o dinheiro: – Eu não posso aparecer não. (…) E o 100 000, não declara não. De fato, tal quantia nunca foi declarada ao TRE por Otoni.Procurado, Otoni afirma que a conversa filmada aconteceu em 2004, quando lançou-se candidato a prefeito de Anápolis (GO).

Na ocasião, o petista conta que lideranças políticas e empresariais de Goiás o procuraram para ajudar Cachoeira a reerguer a Vitapan, sua empresa de produtos farmacêuticos.

Desafeto
Como não ajudou Cachoeira durante aquele período, Otoni diz que virou desafeto do bicheiro. Há anos, o petista diz ser chantageado com a possibilidade de divulgação dos vídeos. Sobre o dinheiro oferecido para a campanha, no entanto, o deputado não esclarece porque aparece no vídeo aceitando a oferta do bicheiro. – Não recebi um real dele. Isso é perseguição.

Na semana passada, uma investigação da PF revelou grampos com conversas do bicheiro com vários políticos. Entre eles, Demóstenes Torres (DEM/GO), que tem 300 horas de diálogos com o Cachoeira gravados.

‘Confio na honestidade de Otoni’, diz líder do PT
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), diz ter confiança em Rubens Otoni (PT-GO), flagrado em vídeo negociando o recebimento de 100 000 reais de Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás. Indagado pelo site de VEJA a respeito das imagens, Tatto primeiro fugiu do assunto: “E quando vai sair o vídeo do Demóstenes Torres conversando com ele?” .

Depois, Tatto jurou lealdade ao deputado e disse estar certo de que não houve caixa dois: “Conhecendo o Rubens Otoni, eu tenho certeza de que ele não recebeu este recurso. Carlinhos Cachoeira tem se movimentado através de contravenção, de forma ilegal. Eu confio na honestidade do deputado”, diz Tatto.

CPI
Indagado sobre a necessidade de investigação sobre o caso, o petista afirmou: “Vai ter uma CPI, todos serão ouvidos”. A Comissão Parlamentar de Inquérito a que Tatto se refere está sendo proposta pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que já iniciou a coleta de assinaturas. Mas dificilmente a CPI sairá do papel. O próprio líder do PT, apesar de dizer que espera a investigação, não ajuda: “Não vou assinar”, diz ele.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) também foi flagrado em conversas com Cachoeira. O parlamentar admitiu ter recebido do chefe da quadrilha um fogão e uma geladeira como presente de casamento. Apesar de o episódio de Demóstenes ter sido o primeiro a surgir na imprensa, Tatto diz que há perseguição aos petistas: “Espero que esse caso venha à tona para todos. Não só para o PT”.

Investigação
Líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ) diz que a Câmara precisa pedir informações sobre o caso aos órgãos de investigação, já que há a possibilidade de envolvimento de mais parlamentares: “Isso precisa ser passado a limpo de imediato. É preciso tomar providências. A Corregedoria da Câmara pode solicitar isso via Polícia Federal. Pode e deve”, afirma o parlamentar. Fernando Francischini (PSDB-PR) diz que o corregedor Eduardo da Fonte (PP-PE) precisa cobrar providências: “Para o Lula, caixa 2 não é crime. Mas eu acho que é crime. E que a Corregedoria tem que tomar providências. Até a semana passada o PT comemorava a desgraça do DEM. Pau que que bate Chico bate em Francisco”, afirma. O corregedor não foi localizado para comentar o caso.

Da Veja.com



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