Eleições 2014
Atualizado em: 27/10/2014 - 10:08 am

Ciro admite dificuldade para segundo mandato de Dilma. Foto: Tiago Stille/O Estado

Ciro admite dificuldade para segundo mandato de Dilma. Foto: Tiago Stille/O Estado

O ex-ministro Ciro Gomes e atual secretário de Saúde do Ceará avalia que a presidente Dilma Rousseff (PT) deverá passar por dificuldades e não terá vida fácil na condução do segundo mandato.

“Na minha opinião, a população brasileira tem uma queixa muito grande do desempenho do governo, seja do ponto de vista de estrategista da economia ou da eficiência dos serviços públicos. Mas a imensa maioria percebe que é com a Dilma que estão protegidos os valores centrais do Brasil. O apreço ao trabalho, como um valor, em detrimento da especulação”.

“A questão nacional, tendo em vista o entreguismo prostrado que aconteceu e aconteceria, novamente, com o PSDB no governo. A defesa da superação das desigualdades, que, inequivocamente, são defendidos pelo lado que a presidenta Dilma representa. E a interpretação que ela vai ter que fazer disso é dar cumprimento concreto a esta promessa de mais futuro e mais mudança. Proteger esses valores, mas mudar, profundamente, os rumos estratégicos de seu governo”, afirmou.

Economia
Sobre a área econômica, ele ressaltou que praticamente tudo precisa ser feito, pois o Brasil navega hoje da mão para a boca, reagindo topicamente a desafios que não podem ser enfrentados assim. “O Brasil tem um desequilíbrio nas suas contas estratégicas com o exterior, de US$ 86 bilhões, que vai provocar uma reação em cadeia, muito proximamente. Ela vai repercutir no meio do povo brasileiro, pois tem uma pressão estrutural de depreciação do real e apreciação do dólar, que é a lógica da armadilha do câmbio flutuante. Na hora que for feito isso, pela estrutura de preços relativos absolutamente sensíveis ao câmbio, pois você não compra dólar, mas come pão. Pão é trigo, trigo é “commodity”, dólar. Você paga ônibus, que usa diesel, diesel é petróleo, dólar”, destacou.

Inflação
Portanto, na hora que o câmbio se depreciar, imediatamente haverá uma pressão dos preços. E tem a armadilha do “inflation target”, que, no Brasil, tomou o nome de meta de inflação, que dispara o único remédio para isso, os juros para cima. “Então tem um quadro de estado de inflação que está pronto para acontecer no Brasil, agora. Amanhã (hoje) começam essas pressões, independentemente do resultado do processo eleitoral. Isso é um lado que demonstra que precisamos mudar, concretamente, a nossa atitude em relação às nossas contas com o estrangeiro, e isso não tem milagre. Precisamos imaginar saídas, coordená-las estrategicamente, numa grande convergência entre governo, empresariado, Academia e sociedade civil”.

“Temos uma situação fiscal deplorável, e um grande déficit primário, o pior dos últimos 13 anos. As contas se deterioraram de um jeito, e, consertar isso não será simples. O rombo da previdência é de quase R$ 50 bilhões. A responsabilidade central é do atual governo, mas tenho segurança que o governo da presidenta Dilma é o que está comprometido com os valores centrais do País, como o apreço ao emprego e aos salários. Inflação é papo furado de tucano, pois a média do Fernando Henrique foi de 12% e da Dilma é 6%”, concluiu Ciro Gomes.

Com informações do OE



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