Ceará
Atualizado em: 27/02/2020 - 10:00 am

Coronel que já mediou motim tentará novo acordo com PMs no Ceará

Um coronel da reserva da Polícia Militar foi escolhido para mediar negociação entre os policiais militares paralisados no Ceará e uma comissão criada com membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

O coronel Walmir Medeiros já teve atuação semelhante em outro motim dos PMs cearenses, que aconteceu de dezembro de 2011 a janeiro de 2012.

A paralisação chega nesta quinta-feira (27) ao décimo dia, com saldo de ao menos 195 assassinatos no estado e quatro quartéis fechados por PMs e familiares -em Fortaleza, Caucaia, Juazeiro e em Sobral.

Foi em Sobral, a 270 km da capital cearense, que o senador licenciado Cid Gomes (PDT) foi baleado após investir contra amotinados com uma retroescavadeira, na semana passada. Cid já teve alta e se recupera em sua casa em Fortaleza.

Apoio
O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), pediu ao governo federal a prorrogação da presença das Forças Armadas no Estado. A operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vence na sexta (28). O governo cearense não informou se solicitou um prazo específico nesse segundo pedido. A primeira solicitação cobria o período do Carnaval, considerado crítico pelas autoridades cearenses. São 2.600 homens das Forças Armadas atuando no Estado desde o dia 21 de fevereiro. A comissão formada para mediar a negociação com os PMs não quis lidar diretamente com líderes da paralisação, por isso a escolha de um mediador que não participa do motim.

Negociação
A opção por Medeiros foi feita após visita nesta quarta do presidente da OAB-CE (Ordem dos Advogados do Brasil), Erinaldo Dantas, ao 18º Batalhão da PM, uma espécie de quartel-general dos amotinados. A OAB participa da negociação como observadora, junto com o Ministério Publico do Ceará. “Não pretendemos acabar com a paralisação até acertarmos os termos de um acordo”, disse à reportagem um dos líderes do movimento, o ex-deputado federal Cabo Sabino. Ele esteve todos esses dias junto com os policiais paralisados no 18º Batalhão, que desde a noite de 18 de fevereiro tem o acesso bloqueado por viaturas com os pneus esvaziados.

Anistia
Sabino disse que são três as principais reivindicações que serão enviadas à comissão por meio de Medeiros: anistia para transgressões administrativas dos policiais que protestam, aumento de salário de soldado para R$ 4.932 (em uma parcela) e equiparação do auxílio-alimentação dos militares ao que é pago a outros servidores do governo. “Queremos a anistia administrativa. Aqueles que cometeram crimes nesse período, que paguem pelos crimes. Sobre o aumento, nossa pauta é receber de uma vez, mas vai pela negociação”, disse Sabino.

O governo avisou que não pretende dar anistia a nenhum dos policiais envolvidos na paralisação -230 já foram afastados por 120 dias e ficarão fora da folha salarial no período. Outros 43 foram presos, 37 por deserção por não terem aparecido para trabalhar em operação especial de Carnaval no interior.

Limite
O governador Camilo Santana também já disse que o reajuste oferecido é o limite que o Estado pode dar. No projeto de lei enviado dia 18 de fevereiro à Assembleia Legislativa, o salário de um soldado subiria de R$ 3.475 para R$ 4.500, parcelado em três vezes (pagamentos em março de 2020, março de 2021 e março de 2022).

Comissão
A comissão criada para negociar foi uma solução encontrada para tentar colocar fim à paralisação, já que o governo afirmou que não trataria com os policiais manifestantes, que optaram na maioria por usar carapuças e ocupar batalhões. Fazem parte da comissão criada o procurador-geral do Estado, Juvêncio Viana, o deputado estadual Evandro Leitão (PDT), o corregedor-geral, desembargador Teodoro Silva Santos, e o procurador-geral de Justiça, Manuel Pinheiro.

E ainda
Os números de homicídios no Ceará caíram 35% desde que a operação do Exército no Estado começou, dia 21. A média diária, porém, continua alta. Segundo dados disponibilizados pelo Exército, que participa da segurança no Ceará por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), na terça (25) foram 25 assassinatos, número ainda alto comparado com a média de nove homicídios que o Estado tinha antes do motim de parte dos policiais militares. As mortes violentas somam portanto 195 desde a madrugada de 19 de fevereiro -​a paralisação começou na tarde anterior, com a ocupação do 18º Batalhão da PM no bairro de Antônio Bezerra, em Fortaleza. De 1º a 18 de fevereiro foram 164 homicídios e, em todo o mês de janeiro, foram 261.

Com informações da Folha



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