Copa 2014
Atualizado em: 15/03/2012 - 8:45 am

Em meio à crise política no Congresso, o governo cedeu e aceitou a retirada do texto da Lei Geral da Copa do dispositivo que liberava a venda de bebidas alcoólicas nos estádios nos jogos da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações de 2013. O recuo ocorreu por causa da preocupação do governo com a possibilidade de uma derrota na votação da lei, na semana que vem.

Crise
A crise na base aliada, que chegou ao momento mais explícito até agora com a troca dos líderes da presidente Dilma Rousseff na Câmara e no Senado, poderia se aprofundar ainda mais se não houvesse o recuo do governo. O acordo para a alteração na Lei Geral da Copa foi fechado em reunião de deputados da base ontem.

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), novo líder do governo, comandou o encontro, que teve a participação da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). O fato de o deputado ser autor da proposta que resultou no Estatuto do Torcedor – que restringe o consumo de bebidas nos estádios – também pesou para a mudança.

Riscos
Relator da Lei Geral da Copa, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) reconheceu que “tinha um risco concreto de sairmos derrotados”. A proposta aprovada na semana passada em comissão especial, com o aval do governo, previa a liberação das bebidas nos estádios. O novo texto, com a proibição do álcool, deve ser votado semana que vem no plenário da Câmara. Depois, seguirá para o Senado.

Bancada Evangélica
A mudança foi patrocinada por lideranças da bancada evangélica na Câmara, com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente. Em 2007, quando o Brasil disputava o direito de sediar a Copa, o governo brasileiro garantiu em um memorando proteção a direitos comerciais da Fifa e prometeu que não haveria “restrições legais” a “comida e bebidas” dos patrocinadores da Fifa.

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Fifa terá perdas se não puder vender bebidas em arena
A venda de bebidas alcoólicas na Copa-2014 é importante para a Fifa porque há contratos comerciais que preveem o álcool no evento. O principal deles é com a Budweiser, patrocinadora que tem o direito de comercializar produtos nos estádios. Foi assim nos últimos mundiais. Pacotes de hospedagem de torcedores, com serviços de turismo e ingressos, também preveem bebidas em camarotes.

Opções
Uma opção para a Fifa é negociar leis em cada um dos 12 Estados onde haverá jogos da Copa. As proibições de bebidas em arenas são previstas em normas estaduais. Essas conversas já tinham ocorrido quando a Lei Geral da Copa travou no Congresso.

Se não conseguir a liberação, a Fifa poderá ter de renegociar contratos, o que lhe trará perdas financeiras. Em tese, a organização pode tentar cobrar seus prejuízos do governo federal.

Da Folha.com



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