Lava Jato
Atualizado em: 21/07/2017 - 7:05 am

Procurador da República Dallagnol participou de palestra em Fortaleza. Em entrevista, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato disse que as que penas de Moro “são brandas para a gravidade dos fatos”. Foto: Fiec

Em passagem por Fortaleza, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato que investiga crimes de corrupção na Petrobras, afirmou que as penas do juiz Sérgio Moro “tem sido brandas para a gravidade dos fatos que estão sob consideração.”

O procurador também defendeu que a operação continua de “vento em popa” e afirmou, ainda, irá recorrer da condenação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 9 anos e meio de prisão.

As declarações foram dadas em entrevista coletiva concedida antes da palestra na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que promove o programa “Ideias em debate”.

Lula
Questionado se acreditava na prisão do ex-presidente Lula, Dallagnol desconversou, mas, sem dar muitos detalhes, adiantou que irá recorrer da sentença. “O Ministério Público Federal pede a adequação da sentença que condenou o ex-presidente Lula e outras pessoas que foram condenados com ele. Os pontos que nós recorreremos estão em análise, estão em estudo. Mas, entre eles, seguramente estará a ampliação das penas”, revelou.

Moro
Ao comentar o caso do ex-presidente, Dallagnol deixou escapar uma avaliação sobre o trabalho do juíz Sérgio Moro. Para o procurador, as penas aplicadas pelo juiz são “brandas” para a gravidade dos fatos apontados durante as investigações. “O que nós vimos em vários casos é que o Tribunal tem sistematicamente ampliado as penas aplicadas pelo juiz Sérgio Moro. As penas do juiz Sérgio Moro têm sido brandas para a gravidade dos fatos que estão sob consideração”, avaliou.

Eduardo Cunha
Sobre a possível delação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), o procurador evitou comentar, justificando que não fala sobre eventuais acordos de colaboração em andamento e também não comenta “especulações”.

Pressão política
Dallagnol afirmou que a sociedade precisa “tomar posição firme” contra pressões políticas no sentido de retirar forças da operação Lava Jato. “Eles atuam basicamente de três formas: sufocando o trabalho da Polícia Federal, tentaram isso com o projeto de ‘abuso de autoridade’. Também tentam acabar com os nossos recursos de investigação, que é a delação premiada. O terceiro ataque, o mais descarado, é a tentativa de anistiar quem já cometeu crime”, pontuou ele.

“De vento em popa”
Aos jornalistas, Deltan afirmou que, na contramão dos atos de sufocamento das investigações da operação, o MPF ampliou o apoio e atendeu todas as demandas solicitadas pela Operação. “Conforme as investigações avançam, se percebe esse mesmo esquema de corrupção nos órgãos públicos, não só nos federais, mas nos estaduais e municipais. Por isso a Lava Jato continua avançando sim, de ‘vento em popa’. A nossa expectativa é que possamos levar a condenação de todas as pessoas que têm provas contra ela”, frisou ele.

Reforma
Segundo o procurador, além de responsabilizar os criminosos, “precisamos ir além, precisamos de reformas no sistema político, reforma no sistema de justiça, precisamos com o povo brasileiro recuperar nossa dignidade e assumir a responsabilidade que cabe a cada um de nós”.

Revisão
Embora veja como “natural” os atos de revisão da Justiça, o procurador da República Deltan Dallagnol frisou que os índices de confirmação dos atos da Lava Jato superam 90%.



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