Bastidores, Nacional
Atualizado em: 03/03/2012 - 5:27 pm

Entre tapas e beijos? Henrique Alves e Dilma Rousseff. Foto: Divulgação

Menos de 24 horas após se encontrar com o ex-presidente Lula em São Bernardo para discutir a rebelião na base aliada, a presidente Dilma Rousseff fez apelo à união dos partidos governistas. Ela falou sobre o “fardo” de governar, chorou e destacou a importância da “coalizão forte” para dividir a tarefa e fazer o que somos eleitos para fazer.

“Nós precisamos de uma coalizão forte para promover as mudanças que julgamos necessárias ao País. E para que, de resto, possamos fazer aquilo que nós somos eleitos para fazer, aquilo que o povo brasileiro espera de nós e, sobretudo, aquilo que é imprescindível que nós façamos”, discursou a presidente, no Palácio do Planalto. Ela citou 11 vezes o termo “coalizão”e disse que “graças a Deus” tem uma base que a apoia.

Conselhos de Lula
Instruída por Lula a cuidar mais da política para evitar levantes, Dilma usou a posse do ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para tentar por um freio na crise.

No encontro de quinta-feira com Lula, porém, Dilma expôs ao padrinho político o seu incômodo com a insubordinação do PMDB, que divulgou manifesto subscrito por deputados, e avalizado pelo vice-presidente Michel Temer, contendo críticas ao PT e ao governo. Não foi só: ela reclamou da infidelidade de aliados como o PR, o PDT e o PSB, que se destacaram por expressivas votações contra o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp).

Lula aconselhou a sucessora a conversar mais com os partidos que compõem a coalizão, ouvir suas queixas e afagá-los sempre que possível, para evitar que o pote de mágoas transborde. “Não deixe que isso prospere”, comentou o ex-presidente, de acordo com relatos da conversa ao Estadão.com.

PMDB
Insatisfeitos por não participarem das decisões governamentais e com a distribuição dos cargos, os peemedebistas viram na nomeação de Crivella para o Ministério da Pesca a gota d’água para a rebelião. Ao divulgarem o manifesto no qual dizem viver numa “encruzilhada” em que o PT quer tirar o “protagonismo” do PMDB, deputados observaram que nem Temer foi consultado sobre a escolha de Crivella.

Após o discurso, o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), negou que o manifesto de peemedebistas contra o PT, divulgado na véspera, signifique ruptura com Dilma.

Veja aqui a entrevista do deputado federal Danilo Fortes:
PMDB afirma viver “encruzilhada” com PT

Recados de Dilma
Com um discurso cheio de recados, Dilma respondeu à crítica do manifesto do PMDB de que há uma “relação desigual” entre os parceiros, pois o processo de decisão no Planalto “não passa pela discussão” com os aliados.

“Eu queria dizer para vocês que o que distingue o presidencialismo é que, nesse sistema, as decisões são responsabilidade e pesam sobre as costas da pessoa que é chefe de Estado e de governo”, insistiu Dilma. “Cabe ao presidente ouvir, consultar, avaliar e decidir, mas também cabe ao presidente construir a equipe que divide esse fardo.”

Emocionada, ela chorou ao citar o petista Luiz Sérgio. Ao dizer que o presidente tem o dever de administrar para todos, “inclusive para os que não votaram nele”, Dilma procurou debelar os focos de incêndio na base. “É possível e é necessário (…) falar para todos os brasileiros mesmo que você se apoie numa coalizão e numa aliança.”

Então, tá!
Após o discurso de Dilma, o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, disse que o manifesto do partido – subscrito por 45 de 76 deputados – não significa ruptura com o governo. “É mais alerta porque a insatisfação da bancada começa pelas eleições municipais, já que há um trabalho intenso do PT para neutralizar candidaturas do PMDB.”

Com informações do Estadão.com



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