Entrevista
Atualizado em: 15/10/2018 - 11:26 am

O empresário representará o Estado do Ceará no Senado Federal pelos próximos oito anos

Eleito no último dia 7 de outubro para o Senado Federal com menos de 12 mil votos de diferença para seu adversário, Eduardo Girão (Pros) passa a atuar, a partir do ano que vem, no Congresso Nacional, ao lado do apoiador Tasso Jereissati (PSDB).

Girão, que até lá diz ter intenção de percorrer o Ceará para demonstrar sua gratidão, conversou com o jornal O Estado sobre sua campanha, projetos em que pretende trabalhar no Senado e o apoio declarado ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Ele fala também de sua postura de combate à corrupção e da importância da operação Lava Jato.

O ESTADO. Sua eleição veio como surpresa para muita gente, qual o sentimento que fica nesses primeiros dias após o resultado?

EDUARDO GIRÃO. O sentimento que brota no coração é de gratidão profunda ao povo cearense por ter confiado em mim e sua generosidade por ter mandado o recado através da nossa eleição para o Brasil inteiro, de que não tolera corrupção. Foi o recado de quem está acompanhando o que tá acontecendo no País, as discussões, tudo o que está acontecendo na Lava Jato. Então, fico extremamente feliz com esse recado, que não foi uma surpresa para mim, porque a gente estava percebendo que a mensagem estava chegando no coração das pessoas, de defesa da família, a base de tudo, uma mensagem de ética na política. O que aconteceu no Ceará, domingo, foi um milagre de Deus, porque do outro lado estava todo o poderio do Governo do Estado, o presidente do Senado, vários poderes, o dinheiro estava todo do outro lado. Do lado de cá, estávamos com pedras de Davi, foi Davi contra Golias, mesmo. Nossa aliança não foi com 24 partidos, foi com o povo do Ceará, que deu resposta à altura.

OE. O que tem a dizer sobre os resultados das pesquisas, que acabaram contrariando o das urnas?

EG. As pesquisas foram muito infelizes, estranhas, até a última hora segurando um número completamente equivocado, tanto do meu quanto do adversário, colocando o adversário lá em cima. Mostra que pesquisa eleitoral está desmoralizada, as pessoas não devem esquecer disso, porque no Brasil inteiro aconteceu isso. Inclusive, no Congresso Nacional a gente tem que regular, tem que ver, porque isso não é democrático, não é republicano. Devemos ter perdido alguns parlamentares por causa disso, porque acaba desestimulando a militância.

OE. Como será sua articulação no Senado com relação a destinação de recursos ao Ceará? Haverá uma sintonia com o governador para trabalhar nisso?

EG. Claro que estamos abertos. Vou lutar pelo Ceará, o que estiver ao alcance para ajudar o Governo do Estado. Com o povo cearense sendo beneficiado com as propostas do governador, eu ajudo. Mas, ao mesmo tempo, é dever meu, como parlamentar eleito pelo povo do Ceará, entregar a verdade. O que eu estiver achando que está equivocado eu vou falar, vou colocar. Como, por exemplo, a questão da segurança pública. Acredito que estamos de joelhos para a criminalidade. São inadmissíveis os crimes que acontecem aqui, 5.134 assassinatos em 2017. E não são números apenas: enquanto a gente está aqui batendo esse papo, são mãezinhas chorando a morte de seus filho. Está totalmente sem controle. E não é problema nacional, como tem sido colocado: o Ceará está muito pior do que outros estados. A questão dos bloqueadores de celular nos presídios, até agora não foram instalados e ninguém sabe por quê, se outros estados instalaram.

OE. O que pretende fazer no Congresso para enfrentar esse problema?

EG. Vou bater de gabinete em gabinete com Capitão Wagner, eu no Senado Federal e ele na Câmara dos Deputados, para fazer o que ele queria fazer aqui. Ele tentou fazer a CPI do Narcotráfico, ano passado no Ceará, não conseguiu fazer porque os deputados não deixaram. Mas vamos batalhar com isso lá em Brasília, para trazer essa CPI para o estado do Ceará, para finalmente tentar descobrir o que está acontecendo, quem são os poderosos por trás do crime organizado. Nosso povo está precisando, já deu um grito de liberdade no domingo, mas ainda está preso nessa questão da segurança pública. Então, nós vamos trabalhar para descobrir a verdade.

OE. Enquanto uns políticos apoiam integralmente a operação Lava Jato, outros consideram que há abusos. Como será sua posição com relação a isso?

EG. Sou defensor de primeira hora. Aliás, eu fui inspirado pela Lava Jato para estar aqui. Não sou político, é a primeira vez que estou entrando na política, quando comecei a ver a operação Lava Jato – no meu modo de ver, a primeira vez que a Justiça está sendo feita no Brasil de verdade – e ver empresários gigantescos presos, condenados, políticos tidos como intocáveis presos, cassados, condenados. Líder do governo no Senado, presidente da Câmara dos Deputados, ex-presidente da República. Isso mostra que a Justiça está acontecendo. Mas precisa ser para todos, não só para alguns. Tem mais gente que vai acertar contas com a Justiça e é importante que isso aconteça com democracia, quem errou tem que pagar. Eu sou árduo defensor da Lava Jato, para que essa limpeza aconteça por total. Acredito que a tampa do esgoto foi aberta, então está saindo a sujeira toda. Se a gente tampa o bueiro com sujeira ainda lá embaixo, fica comprometido.

OE. Você já declarou apoio ao Bolsonaro. Como vai ser sua articulação na campanha dele para o segundo turno?

EG. Declarei voto no Bolsonaro e um dos motivos foi pela Lava Jato. É o único dos candidatos que estão aí, e agora único no segundo turno, que tem tudo para ser uma ruptura com o sistema político corrupto, apodrecido, que basta um sopro para cair. A eleição do Bolsonaro, a meu ver, irá fazer isso. Ele já anunciou que não vai lotear ministérios para partidos, vai ser com base em meritocracia, colocar técnicos, isso é muito importante. Ele foi o único candidato a presidente que se declarou claramente contra o aborto, contra a liberação das drogas, como a maconha. Foi o único que se posicionou contra ideologia de gênero, algo que erotiza as crianças, outro atentado à família. E coisas em que discordo do Bolsonaro, vou estar lá no Senado para fazer contraponto, o que for melhor para a Nação, em diálogo com a sociedade. Sobre a campanha, a organização no Ceará está sendo feita pelo Heitor Freire, do PSL. Não sei se o candidato a presidente vai estar aqui no Ceará. Tenho um grande amigo que é senador, chamado Magno Malta, que faz parte de uma coordenação nacional da campanha do Jair Bolsonaro e vou discutir como vai ser minha participação.

OE. Você mencionou divergências, quais seriam? É na questão das armas?

EG. Concordo com ele na valorização da polícia, acho que a polícia tem que ter arma potente, é vocacionada para isso, existe toda uma formação. Mas a população ter arma para andar nas ruas, sou contra. Acredito que esse discurso é muito perigoso e pode levar a querer apagar incêndio jogando gasolina. Briga de trânsito, briga de bar, discussão entre casais, com acesso fácil a arma de fogo, isso se transforma em tragédia. Você com arma nas ruas pode fazer uma besteira e acaba com sua vida e a vida da outra pessoa. Não sou contra ter arma em casa, respeito esse direito, que, inclusive, está sendo negado ao cidadão – mas ali em casa, sem poder transportar nas ruas. Nesse aspecto, vou ter posicionamento diferente do Bolsonaro e fazer o que estiver ao meu alcance para fazer o contraponto, para que não seja liberado.

OE. Em meio a isso, seu partido, o Pros, apoia o PT nacionalmente. Não lhe chamaram a atenção sobre esse apoio?

EG. O partido deu liberdade desde o início, deu carta branca para escolher candidato a presidente. Discordamos profundamente do PT e acredito que tem pessoas boas no partido, tem que ressaltar isso, mas o partido que hoje simboliza a corrupção no Brasil, pelo Petrolão, pelo Mensalão, é o PT – até porque estava no poder há tanto tempo, e estamos vendo essa sujeira agora sair. E outros partidos também, é bom que se diga, estão envolvidos em corrupção. Esse sistema precisa realmente ser revisto. Inclusive, sobre partidos, uma das coisas que quero fazer em Brasília é uma reforma política. Porque acredito que não devemos precisar de partido para concorrer a cargos, como em alguns países onde já se tem candidatura avulsa ou independente.

Com informações do OE



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