Bastidores
Atualizado em: 06/02/2019 - 8:00 am

Em ato assinado por Moro, Bolsonaro exonera ministro do Turismo

O presidente Jair Bolsonaro, em ato assinado em conjunto com o ministro Sergio Moro (Justiça), exonerou Marcelo Álvaro Antônio (PSL) do cargo de ministro do Turismo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (6). Procurado pela reportagem, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que Marcelo Álvaro retornará ao posto na Esplanada após cumprir a formalidade de assumir o mandato de deputado federal na Câmara. “[A exoneração] é para tomar posse como deputado. Ele volta [ao governo] após as formalidades da Câmara dos Deputados”, afirmou.

Em seguida, em postagem numa rede social na manhã desta quarta, o ministro afirmou que, “em tempos de fake news, importante avisar: hoje tomo posse na Câmara dos Deputados e amanhã [quinta] retorno as atividades frente ao Ministério do Turismo”. A assessoria de Álvaro Antônio informou ainda que ele não havia tomado posse na Câmara porque estava de licença médica.

Praxe
Segundo a Casa Civil da Presidência, é praxe o ministro da Justiça assinar atos dessa natureza. Moro, no entanto, não assinou as exonerações de outros ministros que deixaram os cargos para tomarem posse na Câmara na semana passada. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) deu parabéns a Bolsonaro pela exoneração do ministro, em sua rede social. “[A exoneração] é a atitude correta, inclusive para que o ex-ministro cuide de sua defesa sem que os trabalhos no ministério fiquem prejudicados. Parabéns, Presidente!”

Denúncia
Na última segunda-feira (4), reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o ministro do Turismo de Bolsonaro, o deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de candidaturas laranjas no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara. Após indicação do PSL de Minas, presidido à época pelo próprio Álvaro Antônio, o comando nacional do partido do presidente Jair Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas. O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas.

E ainda
Apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos. Ainda na segunda-feira, após a reportagem da Folha de S.Paulo, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que o caso deve ser investigado. Segundo ele, se os órgãos de investigação confirmarem a existência da irregularidade em relação ao ministro, trata-se de uma denúncia grave. Sobre o teor da reportagem, o ministro Marcelo Álvaro Antônio afirmou, por meio da assessoria, que “a distribuição do fundo partidário do PSL de Minas Gerais cumpriu rigorosamente o que determina a lei” e que “refuta veementemente a suposição com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido.”

Com informações da Folha



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