Época
Atualizado em: 02/11/2012 - 3:21 pm

O ex-presidente Lula e o governador Cid Gomes – Arquivo Jangadeiro

A revista Época desta semana traz uma entrevista com o governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes (PSB), na qual ele revela estar decepcionado com a participação do ex-presidente Lula na campanha eleitoral em Fortaleza.

Na ocasião, Lula participou de comício em que classificou o grupo político do governador de ser uma oligarquia e disse que Cid se preocupava com os pobres apenas em período eleitoral.

“Foi uma agressão e uma agressão injusta. Quem esteve com Lula nas horas decisivas fomos nós”, rebateu Cid Gomes. E emendou: “Em 2005, no mensalão, parte do PT se escondeu. Outra falou em pós-Lula. Nós fomos à linha de frente defendê-lo. Os votos responsáveis pela reeleição dele vieram daqui. Fomos para a linha de frente na eleição de Dilma. Lula não foi correto conosco”.

Dilma
Para Cid, o ex-presidente poderia fazer campanha para o candidato do PT sem precisar de agressões, uma vez que PT e PSB são aliados no governo federal. Nesse sentido, o governador cearense não poupa elogios à presidente Dilma, que a seu ver agiu de “forma republicana” durante a disputa.

“Não tenho reparo a fazer. Pelo contrário, só tenho reconhecimento pela atitude dela. Quando acabou o primeiro turno, disse isso a ela. No segundo turno, agradeci novamente. Ela respondeu: ‘Não poderia ter outra postura, você me apoiou’. E ainda me pediu o telefone do Roberto Cláudio”, conta o governador.

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Sem mandato
Na entrevista, Cid Gomes fala que ficará no cargo até o último dia do seu mandato e o desejo de atuar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Sobre o futuro político da família Ferreira Gomes, revela que ele e os irmãos poderão até “dar um tempo” em 2015, mas avisa que isso não significa, necessariamente, uma aposentadoria: “Ter mandato não é a única forma de servir”.

Acompanhe trechos da entrevista:

O PSB venceu o PT em todas as disputas importantes de que participou nesta eleição: Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Campinas. O PT subestimou seu aliado histórico?
Não enxergo nisso uma rivalidade ou uma má relação. O PT é nosso aliado nacional. O que não se pode é achar que somos satélites do PT. Não somos. Temos um projeto de poder próprio.

O senhor está falando da Presidência da República?
Estou, sim, e digo, para que não me interpretem errado: defendo o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Apoiamos a Dilma em 2010, tivemos um papel importante na eleição dela, participamos de seu governo, e ela vem fazendo uma boa gestão. É natural que apoiemos sua reeleição. Nosso projeto de Presidência deve vir depois.

O PSB compartilha sua opinião?
Não posso dizer. O partido não deliberou sobre o assunto. Posso dizer que (o presidente do partido e governador de Pernambuco) Eduardo Campos declarou que a eleição de 2014 deve ser tratada em 2014.

Então, Campos pode disputar o Planalto em 2014?
Acho que ele deve aguardar 2018. É verdade que Eduardo é um grande quadro, bem preparado e o governador mais popular do Brasil. Também é claro que o PSB foi o partido que mais saiu fortalecido das urnas. É o que mais tem prefeitos de capitais, e capital é muito importante. Governa quase metade da população do Estado. Agora, eleição municipal é uma questão local. Não enxergo seus efeitos no plano estadual, muito menos no nacional. O PSB deve apoiar a reeleição de Dilma e, em 2015, devolver os cargos que tem no governo federal. Sem isso, será difícil mostrar a diferença entre nossa forma de governar e a deles. Não faz sentido e não é correto participar do governo de outro partido e, depois, lançar candidatura contra esse mesmo partido.

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.



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