Entrevista
Atualizado em: 22/11/2016 - 9:08 am

Em entrevista, Ciro diz que probabilidade de Temer concluir mandato "é pequena". Foto: Kézya Diniz

Em entrevista, Ciro diz que probabilidade de Temer concluir mandato “é pequena”. Foto: Kézya Diniz

Pré-candidato à presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) acredita que o presidente Michel Temer (PMDB) não permanecerá no cargo até o final do mandato previsto para dezembro de 2018. “Não creio que esse Michel Temer tenha todas as condições de se manter, não. A probabilidade dele terminar [o mandato] é pequena”.

A declaração foi feita após Ciro ser lembrado da entrevista que concedeu à jornalista Kézya Diniz, em novembro de 2014, quando disse que o então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) deveria ser preso e que a então presidente Dilma Rousseff (PT) não terminaria o mandato. Questionado sobre os possíveis desdobramentos da crise, Ciro justificou:

“Aquilo ali tinha condicionalidades que, infelizmente, foram praticadas. Isso acabou virando a entrevista de maior audiência da minha vida, por causa da internet. E hoje você tem duas alternativas: esse golpe não foi feito em favor do Michel Temer, ao contrário do que a quadrilha do PMDB salvo as honrosas exceções que há, poucas que sejam. O golpe não foi feito em favor deles. Foi feito para atender a três grupos de interesses muito poderosos”.

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Interesses
Segundo o ex-ministro, os grupos políticos interessados no impeachment de Dilma são os seguintes: “O primeiro grupo de interesses tem a ver com o sindicato dos políticos, do A ao Z, também com muitas exceções, mas eles querem o fim da lava jato (…) para persistir na tradição da impunidade e que a cadeia se mantenha para ladrões de galinhas. O segundo grande interesse, eles praticamente já entregaram, mas não será simples de praticar. É o desmonte do alinhamento internacional do Brasil, que lutou por 15 anos por um alinhamento distinto de uma ordem International monopolista, assentada na violência, na intervenção, e basicamente, tira o Brasil dos Bricks e a entrega o petróleo ao mercado privado”.

“E o terceiro bloco é esse que quer usurpar o controle do orçamento público para gerar excedentes a qualquer preço, de maneira a jogar no posto da dívida, que por sua vez é o caminho por onde 10.000 famílias abastadas do Brasil ganham em cima de 100.000 trabalhadores brasileiros”, disse.

Pouca chance
O ex-ministro ainda concluiu afirmando que: “Eu posso lhe fazer um vaticínio: eu não creio que esse Michel Temer tenho todas as condições de se manter no governo. Hoje eu não seria capaz de afirmar com tanta categoria que não, mas a probabilidade dele terminar é pequena”.

Nomes
Ainda segundo Ciro, com a saída de Temer, o Congresso deve se reunir para eleições diretas e dois nomes já articulam assumir indiretamente o comando do País: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa. As declarações aconteceram, na segunda-feira (21), antes da audiência pública na Assembleia Legislativa sobre Banco Central do Brasil.

Áudio
Acompanha e entrevista aqui:

Delações
Em entrevista aos jornalistas, cercado por aliados, disse que novas delações premiadas avançaram para além do PT, que, conforme explicou Ciro, foi “puxado para pagar sozinho uma culpa que é ancestralmente de muita gente e, talvez, agora essas muitas mais gentes começam a entrar”. Ciro, porém, evitou citar nomes.

Não tá fácil
Após previsões certeiras, sobre a crise política vivida no País, inclusive com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a queda do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ), Ciro admitiu que, hoje, não é “fácil” fazer uma análise sobre o desenrolar do atual momento político já que o momento é diferente daquela ocasião que tinha “condicionalidades” que foram praticadas.

“Esse golpe não é mais ao moldes fáceis de se entender, porque ele, hoje, manipula mecanismos protocolares mediante uma avassaladora máquina de propaganda”, frisou ele, acrescentando que o país está na pior “depressão econômica” e caminhando para chegar aproximadamente a 15 milhões de brasileiros desempregados. “E diante deste drama social, irá explodir a violência urbana”.

Mais
Ciro Gomes negou ainda ter se reunido com Antônio Campos (PSB), irmão do ex-governador Eduardo Campos. A informação foi divulgada pela imprensa nacional. Ciro classificou o encontro como “factoide”.

Relembre

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