Hora K
Atualizado em: 11/11/2014 - 6:54 pm

Em entrevista, Ciro fala sobre transição, milícia e diz que Dilma corre risco de não terminar mandato

Em entrevista, Ciro fala sobre transição, milícia e diz que Dilma corre risco de não terminar mandato

Milícia na Polícia do Ceará, governo Dilma, transição de Cid Gomes para Camilo Santana, os cenários na política e na economia. Estes são apenas alguns dos assuntos abordados na conversa com o secretário de saúde, Ciro Gomes. As declarações foram feitas em entrevista ao programa HoraK, apresentado pela jornalista Kézya Diniz (eu!), reexibido na segunda-feira (10).

Vídeo
Atendendo a pedidos, aqui está a entrevista completa. O vídeo está disponível no Youtube mas você pode acompanhar aqui mesmo, no final deste post. Além disso, para quem não tem paciência, ou uma internet veloz para assistir vídeos, recortei alguns trechos da entrevista.

Erro crasso na IstoÉ
Em diferentes momentos, Ciro comentou “alguns erros políticos” do grupo liderado por seu irmão, o governador Cid Gomes, como no caso do pedido judicial que barrou a circulação da revista IstoÉ que citou o nome do gestor cearense entre os supostos beneficiários do esquema de pagamento de propina da Petrobras.

“O último [erro] foi durante a campanha, uma desorientação jurídica que foi aquela apreensão da revista IstoÉ. (…) Por maior aberração que seja, apreender uma revista não é a providência correta. Você deve, como eu faço, processar, ir pra cima, esculhambar e tal, mas apreender é um erro crasso”, avaliou o secretário.

Derrota em Fortaleza
Sobre o resultado da eleição, em que Camilo Santana abriu vantagem e venceu nos municípios do interior, mas perdeu nas urnas de Fortaleza para o adversário Eunício Oliveira, Ciro revelou seu desapontamento.

“No dia eu não consegui ficar alegre. Eu não consegui ficar alegre com a vitória do Camilo no segundo turno pensando nisso [na derrota do petista em Fortaleza]. Fortaleza é uma cidade com quem eu tenho uma identidade absoluta e definitiva a quem eu devoto o meu amor, a minha paixão. E, pela primeira vez, Fortaleza me surpreendeu. Me doeu muito a ideia de que eu não conheço mais Fortaleza. Fortaleza sempre votou no melhor, no mais progressista. Dessa vez foi diferente e é preciso entender isso”.

RC
Questionado se a derrota do grupo na capital acende uma luz de alerta para a reeleição do prefeito Roberto Cláudio, Ciro afastou a hipótese. “Eu não creio que essas coisas se comuniquem assim instantaneamente”.

O secretário, no entanto, avalia que em Fortaleza está a “concentração da crítica” ao governo de Cid Gomes com enfase na Segurança e na Saúde. Ciro completa afirmando que ainda analisa o que as urnas quiseram afirmar. “Enfim, nós vamos precisar entender isso.  Eu, por exemplo, hoje, tô muito dedicado a entender, conversar, ouvir as pessoas para entender o que foi [que aconteceu]. O prefeito Roberto está executando um plano e ele vai chegar na avaliação própria, na hora, como um dos maiores prefeitos da história da cidade”.

Milícia
Ciro Gomes voltou a afirmar que existe, na Polícia Militar, a atuação de uma milícia em afinidade com o narcotráfico. E acrescentou que providencias já foram tomadas, inclusive alguns policiais foram identificados e expulsos da corporação, sendo posteriormente absorvidos na Guarda Municipal de Maracanaú. Ele disse ainda ter acionado o Ministério Público para investigar o caso. Ano passado, o assunto causou polêmica, principalmente porque Ciro acusou o vereador Capitão Wagner (PR) – deputado estadual eleito – de chefiar milícia dentro da Polícia Militar. Na entrevista, Ciro explica como funciona a milícia na Polícia do Ceará.

Secretariado de Camilo
Ao comentar sobre a equipe de secretariado do governador eleito, Camilo Santana (PT), Ciro evitou maiores detalhes. “Não sei. Também não quero saber. Apenas, sei que não fico. Depois das eleições, tive apenas duas conversas com Camilo a pedido de Cid Gomes”, disse.

Decepção com Tasso
Ciro Gomes revelou ter se decepcionado com o senador eleito Tasso Jereissati (PSDB), pois, segundo ele, Tasso não deveria ter se coligado com Eunício Oliveira. “Tenho um carinho por ele. Mas, acho que passou do limite ao apoiar o Eunício”, ressaltou Ciro, voltando a chamar o peemedebista de picareta e reafirmando, ainda, que durante a campanha apenas queria que o patrimônio acumulado por Eunício fosse esclarecido à população.

“Eu me decepcionai uma vez com o Tasso. Eu tenho por ele uma afeição definitiva, um respeito imortal, um carinho imenso, também ninguém consegue ver um ataque meu ao Tasso. Não tem a menor chance! Pouco importa, ele veio contra o Cid, quis entregar o Ceará ao Marcos Cals, mas entregar ao Eunício, para o cara que tem a história do Tasso, acho que ele passou do limite”, disparou.

Eunício
Após reafirmar as críticas da campanha contra o senador Eunício Oliveira, questionado sobre como seria caso o peemedebista tivesse concordado com Cid e retirado a candidatura permitido que “todos ficassem juntos, do mesmo lado”, Ciro afirmou não gostar desse tipo de “ajuste que o Cid faz”. “Faço, porque meu papel é cada vez mais secundário, o líder é o Cid mas daí até eu elogiar… Veja o Tasso. Acabou de sair da política, veja se tem algum vídeo dele dizendo que Eunício é um político descente. Não tem”, enfatizou. 

Lula
Questionado se também tinha se decepcionado com Lula, Ciro foi cauteloso. Para ele, o “País precisa criar novas lideranças”, pois é “mal para o país uma dependência”. O ex-presidente não desembarcou em terras alencarinas para pedir votos para Camilo. “O Lula não foi uma decepção mas se ele não guardar o seu lugar, passará a ser de um grande brasileiro que muito ajudou o Pais, para uma figura perniciosa”, declarou Ciro.

Dilma Rousseff
Ciro afirma que, se continuar cometendo erros, Dilma Rousseff não chega ao final de seu mandato. Conforme ressaltou, a petista está em má companhia, citando o vice-presidente da República, Michel Temer, também presidente nacional do PMDB. Para ele, o próximo mandato começará “terrível”. Isso porque deixaram de fazer “muitas coisas”, o que desequilibrou as contas públicas, ressaltando a inflação.

Picareta Mor
Na entrevista, ele diz ainda que, caso o governo apoie a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara Federal, ele irá romper a aliança com a presidente brasileira.

“Esse cara deve ser assim, entre mil picaretas, o picareta Mor. Eu conheço esse cara desde o governo Collor. Ele operava no escândalo do PC Farias na Telerj. Depois tava enrolado no fundo de pensão da Sedae do governo Garorinho e aí vem vindo. Depois tava enrolado no governo Lula com Furnas e agora enrolado até o gogó em tudo em quanto. E ele é o que banca os colegas. Todo mundo sabe disso. Antigamente, o picareta achava a sombra, procurava ali o bastidor, ia fazendo as picaretagens dele escondido. Agora não! Quer ser o presidente da Câmara. Se o PT mais a Dilma aceitarem, eu rompo e vou pra oposição. Claramente. Pouco importa a boa-fé do meu irmão Cid Gomes. Eu enchi”, concluiu Ciro.

PMDB
Ainda sobre o PMDB, Ciro voltou a fazer críticas e disse que o partido “virou uma quadrilha de saqueadores, independente do governo”. Sobre o PMDB estadual, o secretário afirmou ser “irrelevante” ao comentar sobre sua postura de oposição ao próximo governo. E ironizou o vice-prefeito Gaudêncio Lucena, sugerindo que ele se candidate a Prefeitura de Fortaleza em 2016. Sobre sua postura de críticas contra Eunício, ele disse que não costumar “personalizar” na política e que podem criticar seu jeito de ser.

Saúde
Sobre os avanços na saúde do Estado, Ciro foi enfático. “Pretendo deixar a melhor saúde do Estado”, disse, acrescentando que Camilo concluirá o hospital da Regional Metropolitano, e construirá outro no Vale do Jaguaribe. Ciro ainda criticou as propostas adversarias durante a disputa eleitoral. Segundo ele, o principal adversário de Camilo, o senador Eunício Oliveira (PMDB), não tinha ideia das promessas apresentadas ao eleitorado.

“Pé de meia”
O secretário também revelou que analisa propostas de emprego fora do Ceará e disse que está preocupado em fazer seu “pé de meia”.

“Não tem nada fixo ainda, mas eu tô pensando em ganhar algum dinheiro. Pela primeira vez na vida estou começando a me sentir inseguro com relação ao futuro. E escrever. Eu tô com um livro novo na cabeça sobre o Brasil e acredito que o ano que vem, pelo menos, eu vou ocupar com essas duas tarefas.  Vou fazer palestras sim, mas eu tenho duas propostas de trabalho na iniciativa privada e eu vou examinar, dependendo do salário. São ambas fora do Ceará. Vou ficar com muita saudade, mas, pelo menos por um ano, eu preciso ganhar algum trocado”, revelou. Por cada palestra, Ciro diz que recebe cerca de R$ 15 mil, líquidos.

Acompanhe abaixo a entrevista completa com Ciro Gomes:



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