Lava Jato
Atualizado em: 11/05/2017 - 4:28 pm

Lula e Dilma sabiam de caixa dois da Odebrecht, diz João Santana. Foto: Reprodução

O marqueteiro João Santana declarou, em seu depoimento prestado em acordo de delação premiada, que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff sabiam do uso de recursos de caixa dois da empreiteira Odebrecht para pagamento de dívidas eleitorais das campanhas presidenciais do PT.

A reportagem teve acesso aos documentos que integram a delação de Santana e de sua mulher, Mônica Moura, cujo sigilo foi levantado por ordem do ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato.

“Lula e Dilma sabiam que as dividas que possuíam com João Santana seriam saldadas com recursos de caixa 2 da Odebrecht”, diz o resumo de uma gravação em vídeo do depoimento de Santana.

Chefe
Segundo Santana, embora Palocci tivesse um papel preponderante nos acertos, “tudo sempre dependia da ‘palavra final do chefe'”, em referência ao então presidente Lula. “Apesar de nunca ter participado de discussões finais de preços ou contratos – tarefa de Monica Moura -, João Santana participou dos encaminhamentos iniciais e decisivos com Antonio Palocci. Nestes encontros ficou claro que Lula sabia de todos os detalhes, de todos os pagamentos por fora recebidos pela Pólis [empresa de Santana], porque Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, sempre alegava que as decisões definitivas dependiam da ‘palavra final do chefe'”, diz o texto encaminhado por Santana para o acordo de delação.

Mônica
Em seu acordo da delação, Mônica Moura também afirmou que Lula sabia e autorizou pagamentos feitos por fora ao marqueteiro na campanha de 2006. Mônica contou que Palocci relatou a ela diversas vezes que “tinha que falar com Lula, porque o valor era alto, e ele não tinha como autorizar sozinho”.

Caixa de Sapato
Mônica Moura contou ainda que recebeu cerca de R$ 5 milhões em espécie em caixas de sapato e de roupas em uma loja de chá do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Os pagamentos, segundo ela, eram referentes aos serviços prestados por Santana à campanha de reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e se estenderam pelo ano eleitoral e também por 2007. O teor da delação foi tornado público nesta quinta (11) pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).

Repasses
As entregas, segundo a delatora, foram operacionalizadas pelo ex-ministro Antonio Palocci e feitas por Juscelino Dourado, ex-chefe de gabinete do petista. Mônica contou que os repasses ocorriam na casa de chá Tee Gschwendner, no Shopping Iguatemi e que viajava para São Paulo especialmente para pegar o montante. “Dourado entregava sacolas com valores em dinheiro acondicionados em caixas de roupas, de sapatos, etc. Foram pagos desta maneira, de forma parcelada, cerca de R$ 5 milhões”, diz o anexo que contém o relato de Mônica.

E ainda
O dinheiro fazia parte dos cerca de R$ 10 milhões pagos por fora a Santana. Os outros R$ 5 milhões repassados de maneira ilícita, segundo Mônica, foram pagos pela Odebrecht na conta da offshore Shellbill também entre 2006 e 2007. A mulher de Santana contou que, ao todo, foram pagos aproximadamente R$ 24 milhões ao casal, incluindo a parte que foi declarada.

Com informações da Folha



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