Bastidores
Atualizado em: 09/11/2019 - 6:34 pm

Lula participou de ato na região do ABC Paulista, em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert

Ao retornar neste sábado (9) ao reduto de origem do PT, a região do ABC Paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 74, fez um duro discurso contra a Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, atacou a política econômica do governo federal e se referiu ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) como miliciano.

“Eu estou de volta”, disse, sob aplausos de militantes. “Estou com mais coragem de lutar do que quando eu saí daqui.” Na reta final da fala de 45 minutos, pediu resistência, luta e união da esquerda e já preparou o clima para as eleições de 2022: “A esquerda vai derrotar a ultradireita que nós tanto queremos derrotar”.

Em seu discurso, Lula mostrou que será opositor de Bolsonaro não apenas no campo político, mas também no terreno econômico. Criticou a agenda de reformas e lembrou que o liberalismo no Chile, citando ser um modelo elogiado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), elevou a pobreza no país vizinho. Também chamou Guedes de “demolidor de sonhos”.

Barrado
Lula foi solto um dia antes, beneficiado por um novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo o qual a prisão de condenados somente deve ocorrer após o fim de todos os recursos. O petista, porém, segue enquadrado na Lei da Ficha Limpa, impedido de disputar eleições.

Encontro
O encontro com líderes petistas, de outros partidos de esquerda, de sindicatos e de movimentos sociais ocorreu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Foi lá, em abril de 2018, que o presidente fez seu último discurso antes de se entregar a policiais federais e ser levado à prisão em Curitiba, onde passou 580 dias.

Discurso
Neste sábado, Lula discursou em cima de um caminhão de som. O petista estava acompanhado, entre outros, do ex-prefeito e ex-presidenciável Fernando Haddad, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de Guilherme Boulos (MTST) e de João Paulo Rodrigues (MST).

“O Moro não era um juiz, e sim um canalha que estava me julgando”, disse o presidente, ao se referir ao hoje ministro da Justiça que o condenou no processo do tríplex de Guarujá, que o levou à prisão. Em seguida, disse que o procurador Deltan Dallagnol montou quadrilha no comando da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. “Uma mentira atrás da outra.”

Bolsonaro
Em seguida, atacou Bolsonaro. “O Bolsonaro chegou a confessar que ele devia as eleições ao Moro. Na verdade, ele deve ao Moro, ele deve aos juízes que os julgaram e à campanha de fake news que fizeram contra o companheiro Fernando Haddad e a esquerda deste país.” Disse aceitar o resultado da eleição, mas que Bolsonaro foi eleito democraticamente para governar o país, e não para as milícias do Rio de Janeiro. “É preciso de uma perícia séria”, numa referência ao sistema da portaria do condomínio do Rio de Janeiro em investigação no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018. “Onde está o Queiroz:”, perguntou Lula, antes de dizer que o atual presidente sempre ofendeu negros, mulheres e gays.

Globo
O petista repetiu seus ataques à TV Globo. “Vocês não têm dimensão do que significa o dia de hoje para mim. Lá em cima [olhando para cima] está o helicóptero da Rede Globo de televisão para falar merda outra vez sobre Lula e sobre nós.”. “A TV do Silvio Santos [SBT] está uma vergonha, a Record está uma vergonha, a Globo está uma vergonha.”

Livres
Condenado em duas ações da Lava Jato, o ex-presidente foi solto nesta sexta-feira (8) um dia após o STF ter decidido, por 6 votos a 5, que uma pessoa condenada só pode ser presa após o trânsito em julgado (o fim dos recursos). Isso alterou a jurisprudência que, desde 2016, tem permitido a prisão logo após a condenação em segunda instância.

A decisão do Supremo, uma das mais esperadas dos últimos anos, tem potencial de beneficiar cerca de 5.000 presos, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O Brasil tem, no total, aproximadamente 800 mil presos. Lula, o também petista José Dirceu e o tucano Eduardo Azeredo já foram soltos.

Condenação
Lula passou 580 dias preso devido à condenação sob a acusação de aceitar a propriedade de um tríplex, em Guarujá, como propina paga pela OAS em troca de três contratos com a Petrobras, o que ele sempre negou. Essa condenação, após denúncia da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba, teve a assinatura do então juiz Sergio Moro na primeira instância, a confirmação do Tribunal Regional Federal em segunda instância e a ratificação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que fixou pena de oito anos, dez meses e 20 dias. Como ainda cabem recursos, o caso ainda não transitou em julgado, e Lula foi solto.

Reação
Também neste sábado, ao se manifestar pela primeira vez sobre a soltura do ex-presidente Lula, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu aos seus seguidores que não deem “munição ao canalha“, em uma referência ao líder petista. “Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”, escreveu em seguida, em novo post.

Minutos depois, também em uma rede social, Moro escreveu: “Lutar pela Justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil. Previsíveis vitórias e revezes (sic). Preferimos a primeira e lamentamos a segunda, mas nunca desistiremos. A decisão do STF deve ser respeitada, mas pode ser alterada, como o próprio Min. Toffoli, reconheceu, pelo Congresso”.

Com informações da Folha



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