Primeiro Plano
Atualizado em: 16/07/2011 - 6:14 pm

O tema do programa Primeiro Plano deste sábado (16) é corrupção. Quem fala sobre o assunto é o historiador e professor universitário Marco Antonio Villa. O programa vai ao ar, à noite, logo  após a série Sobrenatural.

Diante de uma avalanche de denúncias, prefeitos atrás das grades, ministros por denúncias de atos ilícitos, surgem algumas dúvidas: Será que não tem mais jeito? A corrupção já está no DNA dos governos brasileiros? Como funciona a engenharia da corrupção no Brasil?

Indústria da Corrupção
Para o professor Marco Antonio Villa, ainda existem muitos políticos honestos “em todos os partidos”, mas o Brasil criou a “corrupção socializada”.

“Os volumes vão ficando cada vez maiores, é uma espécie de socialização da corrupção. Uma invenção tipicamente brasileira. Nós temos várias coisas nacionais. Jabuticaba, tal.. e tem essa a corrupção socializada, em que todos ganham. Então, no caso da prefeitura, ganha o prefeito, ganha o secretário, ganha o funcionário, o dono da empreiteira. Aí no caso que envolve remédios, ganha o do laboratório, o vendedor”.

“Aí depois é o prefeito é acusado, ganha o advogado. Em Brasília, tem escritórios de jornalistas que assessoram políticos em época de crise, quando é feita a acusação de corrupção, então você socializa e paga também o escritório. Isso virou uma indústria. É uma coisa trágica. Nós temos uma verdadeira indústria da corrupção”, explicou.

Loteamento de Cargos
Marco Antonio Villa também criticou a divisão de cargos nos governos brasileiros e disse que esta “é uma outra invenção brasileira”.

“Você achar que pra governar precisa entregar o estado pra ser saqueado por políticos corruptos, isso é um verdadeiro absurdo”, criticou.

Impunidade
O historiador ainda afirma que é a impunidade “que faz que a corrupção seja um assunto cotidiano do Brasil”. Ele também destacou a responsabilidade do eleitor nos escândalos de corrupção e o papel da imprensa.

Fraude na Petrobras
Villa citou exemplos como a queda dos ex- ministros Antonio Palocci (Chefe da Casa Civil) e Alfredo Nascimento (dos Transportes).

“As acusações que envolvem o governo são muito graves. E isso não fica só na União, fica nos estados e também não só nos estados, envolve também as prefeitura e envolve senadores”, disse para depois comentar o caso envolvendo o senador cearense Eunício Oliveira, em que uma empresa de propriedade do peemedebista é acusada de fraudar contrato de R$300 milhões com a Petrobras.

“Quando você abre o jornal e vê uma licitação da Petrobras – nós não tamos falando de uma empresa mixuruca, nós estamos falando de uma das maiores empresas do mundo -, é fraudada uma licitação e ninguém sabe. O que causa estranheza é o seguinte: Como é que você vai fraudar uma licitação da Petrobras e ninguém sabe?”, questionou.

Marco Antonio Vila destaca ainda que: “A Petrobras, como outras empresas estatais, elas foram loteadas, viraram, usando uma expressão popular, a casa da mãe Joana”, disparou.

Venda de sentenças
Polêmico, Marco Antonio Villa falou ainda sobre o Pode Judiciário. Segundo ele, os poderes Legislativo e Executivo são ruins, mas pelo menos são transparentes, enquanto o Judiciário brasileiro não permite um acompanhamento claro.

“Ninguém vê o poder Judiciário. Nós temos um poder Judiciário em que o STJ, o Superior Tribunal de Justiça, vende sentenças. Teve juiz, inclusive que foi aposentado agora, que vendia sentença. Tem desembargador que vende sentença, um inclusive que censura o jornal O Estado de S. Paulo (…) Eles invertem a lógica. Você não pode dizer que o político é corrupto porque senão ele te processa e tem advogados caríssimos par fazer isso”, disse.

Confira a chamada:



2 comentários







2 comentários
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Júnior | domingo julho 17 2011 | 09:09

Muito bom o programa deste sábado. Incrível a disparidade de qualidade entre a entrevista bem conduzida, com perguntas fundamentadas e pertinentes ao assunto com o Professor Marco Antonio, enquanto na Globo passava a imbecilidade do Zorra Total.

O que o professor falou, com muita propriedade aliás, seria, para bons entendedores, uma aula sobre o fim da pseudodemocracia que vivemos no Brasil, na qual os favores políticos, o apoio político, não é conquistado, e sim comprado com o dinheiro do povo.

Parabéns a jangadeiro.

Luiz Canelhas | segunda-feira julho 18 2011 | 09:23

Concordo plenamente que o Judiciário de veria ter um pouco mais de vergonha na cara! Como a população, o cidadão comum pode se defender? Até que ponto vamos chegar com esse descaso com a população brasileira. Acredito que este tema deveria frequentar mais a mídia, não somente em função de uma fala aqui e ali, como no caso do Jornalista Espanhol. ATÉ QUANDO MEU POVO? ATÉ QUANDO?






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