Eleições 2014
Atualizado em: 28/10/2014 - 7:02 am

Nem Camilo nem Eunício: Quase 30% dos eleitores abdicaram da escolha. Foto: Nayanna Melo/OE

Nem Camilo nem Eunício: Quase 30% dos eleitores abdicaram da escolha. Foto: Nayanna Melo/OE

Mais de um milhão e setecentos mil eleitores optaram por não escolher nenhum candidato ao governo do Ceará nas eleições do último domingo (26). A votação que elegeu o candidato petista Camilo Santana (PT) como governador do Ceará teve um número consideravelmente elevado.

Um total de 101.772 eleitores votaram em branco, 272.099 anularam e 1.363.558 abstiveram-se do processo de votação. Em comparação com o primeiro turno o número de cearenses que abdicaram da escolha foi maior.

Primeiro turno
Na primeira etapa da disputa, dos mais de seis milhões de cearenses aptos a votar, 438.492 optaram pelo “nulo” (8,76%), 303.440 decidiram pela opção em “branco” (6,06%) e mais de 1,2 milhão abstiveram-se. A abstenção no dia 5 de outubro representou 20,12% dos eleitores. Croatá foi o município onde o índice de abstenção foi maior, com 37,59%. Já Sobral, contou com a participação de 91,99% dos eleitores.

Obrigatório
O cientista político Horácio Frota considera o número de abstenções bastante alto, levando-se em consideração que, no Brasil, o voto é obrigatório. “A abstenção é um fenômeno que ocorre no mundo todo, mas no Brasil é algo mais preocupante já que o voto é obrigatório. Então, não temos como fazer uma comparação do Brasil, como por exemplo, a Europa, onde a abstenção chega a 50%. Analisando de uma forma geral, podemos dizer que temos hoje muito mais consumidores do que cidadãos. No caso dos cidadãos eles se preocupa mais com o geral, com os serviços sociais. Já no caso dos consumidores, eles são muito pragmáticos, no que lhe traz vantagens ou não, deixa de ter preocupações como um todo, na sociedade como um todo, são muito mais individuais”, analisa, classificando os eleitores em dois quadros.

Sem motivação
O cientista ainda considera como causa para o alto índice de abstenção, votos nulos e brancos, a desmotivação de muitos eleitores quanto aos candidatos postos para o pleito. “Muitas das vezes, a desmotivação do eleitor com relação aos candidatos que estão na disputa também estimula os votos nulos e brancos, como também as abstenções. No caso do Ceará, podemos dizer que a semelhança entre os candidatos fizeram com que muitos não escolhessem em quem votar”, destacou.

Legítimo
Horácio Frota ainda analisa que o volume de votos brancos, nulos e abstenções não afeta a legitimidade da eleição do novo governador. “Isso só mostra a insatisfação dos eleitores com o quadro político no Ceará. Cabe ao novo governador recuperar a confiança do povo. Embora não se possa dizer se esses percentuais crescentes revelam desinteresse por parte da população em relação à política, o quadro mostra no mínimo um alto grau de desconfiança, por parte do eleitorado, em relação à classe política”.

Com informações do OE



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