Entrevista
Atualizado em: 27/03/2018 - 2:31 pm

Obras sobre a Lava Jato não deve ser vistas como relatos históricos, diz Moro

O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato, afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (26) que o seriado “O Mecanismo”, de José Padilha, e o filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”, inspirados na Lava Jato, não devem ser vistos como relatos históricos, mas que podem servir para informar o público sobre a corrupção existente no país.

“O que ambos revelam é que a corrupção é um problema muito grave entre nós e que, por outro lado, há uma dificuldade institucional do enfrentamento desse problema. Se essa série e desse filme servirem para chamar atenção das pessoas para esses problemas, acho que já fazem um importante papel”, declarou Moro.

Liberdade criativa
O juiz disse que não é um crítico qualificado e que tem o gosto provavelmente mais rasteiro, mas que vê qualidade nos dois produtos, ainda que reconheça em ambos uma série de liberdades criativas. “Nem a série nem o filme retratam propriamente a realidade exatamente como aconteceu”, afirmou.

Realidade
Apesar disso, o magistrado também disse que identifica cenas que conferem com a realidade da Operação Lava Jato, porém não considera que a série ou o filme devem ser vistos como retratos históricos. “Há situações retratadas tanto no filme como na série que conferem com aquilo que apareceu na realidade. Acho que essas produções culturais têm o valor talvez nem tanto com o objetivo de reconstrução histórica, porque os fatos estão acontecendo agora. É muito difícil fazer uma obra fiel aos fatos como aconteceram, mas são importantes para informar”, disse.

E ainda
Moro ponderou ainda que “não dá pra ficar se preocupando somente com essas questões de detalhes, se confere ou não confere”. Nesta segunda-feira, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que a Netflix está sendo usada para fazer campanha política ao disponibilizar a série “O Mecanismo”. Ao longo do fim de semana, simpatizantes de esquerda disseram ter cancelado suas assinaturas do serviço por causa da produção.

Com informações da Folha



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