Opinião
Atualizado em: 15/11/2011 - 7:06 am

*Por Wanderley Pereira

A Grécia quebrada é do que mais se fala hoje, no mundo inteiro. Quando voltei a Fortaleza, em 1985, era o Ceará que estava quebrado. Não tinha nem como pagar o funcionalismo público. Só aparecia no cenário nacional como um exportador de misérias, uma pátria de retirantes. Seus tipos no noticiário da grande imprensa eram os Futricas de Irauçuba que comiam calango para não morrer de fome, segundo uma reportagem de Egídio Serpa, no Jornal do Brasil, que virou símbolo da vergonha cearense na época A própria seca era recebida com alegria porque era a salvação da população pobre nas famosas “frentes de emergência”, e dos ricos porque tinham o perdão de suas dívidas decretado pelo governo central no Banco do Brasil e noutros oficiais. Como ponto positivo, efervescia a redemocratização, um momento novo para o País. Por isso, recebi do então editor nacional de Veja, Hélio Teixeira, a tarefa de produzir na região matérias mais positivas, que falassem das potencialidades do Estado, dos talentos e perspectivas – e não apenas dos desdentados e famintos.

Não nego que tive dificuldades para descobrir esse atrativo diferente que Veja me cobrava do Ceará e do cearense. Mas com a eleição de Tasso Jereissati para o governo do Estado, em 15 de novembro do ano seguinte, há 25 anos portanto, esse novo Ceará que me cabia retratar começa a se desenhar com as primeiras medidas de choque de ruptura do governo recém-eleito com a política de exploração da pobreza e o assistencialismo, até então dominante aqui e em todo o Nordeste.

Empossado governador, em 1987, Tasso mudou a maneira de governar com um pacote de 16 decretos. Criou a Secretaria de Recursos Hídricos, elegeu a saúde e a educação como prioridades, em lugar do combate à seca criou programas de convivência com a seca, saneou as finanças do Estado, voltou a máquina pública para servir à população, acabou com os privilégios, recrutou máquinas e equipamentos do Estado que estavam a serviço dos chefetes políticos, combateu a mortalidade infantil, moralizou a aplicação dos recursos públicos, atraiu investimentos públicos e privados, interiorizou a industrialização, resgatou a autoestima do cearense e logo colocou o Ceará no cenário do prestígio nacional e internacional.

Foi assim que começaram a surgir os temas para matérias positivas como as que me foram recomendadas por Veja. Depois, nos governos seguintes, vieram os programas que se tornaram referências para outros Estados e foram adotados pelo governo federal, como os agentes de saúde, reforma agrária solidária, luz em casa, seguro-safra, lei de responsabilidade fiscal, política das águas e as agências reguladoras, entre outros. O pobre Ceará virou um laboratório de grandes inovações políticas e administrativas, ao mesmo tempo em que se dedicou à construção de uma infraestrutura como o Castanhão, Aeroporto, Porto do Pecém, Linhões de Tucuruí, para receber o progresso do futuro. Da mesma forma, dedicou-se a projetos sociais para a redução da pobreza como Arrancada da Produção, Projeto São José, Caminhos de Israel, Pólos de Irrigação, Valorização do Artesanato, entre muitos outros até hoje preservados.

Foi toda essa gama de mudanças institucionais, econômicas, sociais e culturais que terminou projetando o Ceará como um dos Estados mais fortes do Nordeste, inclusive acima de Pernambuco que teve um PIB e um IDH abaixo do nosso em todo o período Tasso. Daí por que o Ceará surge no livro da norteamericana Judith Tendler como exemplo de “Bom Governo nos Trópicos – Uma visão crítica”. E por isso também que ficou historicamente reconhecido e respeitado para sempre como a “Era Tasso”.

Wanderley Pereira é jornalista.



1 comentário







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reuber vieira | terça-feira novembro 15 2011 | 07:18

Como tenho 56 anos, concordo com tudo o q foi aqui colocado. A Era Tasso continua, porque os governos seguintes dão sequencia e o são, apesar de estarem, em outras siglas!