Ceará, Opinião
Atualizado em: 12/01/2012 - 3:37 pm

Por Wanderley Filho *

Governo e oposição na crise de segurança que vive o Ceará: não falam, não enxergam e não ouvem

No momento mais crítico de sua gestão, o governador do Ceará, Cid Gomes, sumiu. É fato que agora seus aliados tentam amenizar o caso, afirmando que a ausência constatada em meio a uma greve da Polícia Militar é coisa típica de quem é discreto na hora de trabalhar. Tudo não passou de uma mera questão de estilo. Entenda-se por sumiço não somente a ausência física, mas a da autoridade moral que chama para si a responsabilidade intransferível de resolver o problema.

Se o silêncio do governo evidenciou um vácuo de comando devidamente preenchido pelo general Gomes de Matos, a opção por permanecer recluso obedece agora a uma estratégia de contenção de danos. Feito o estrago na imagem do chefe do Executivo, o momento agora é o de esfriar o noticiário e deixar a poeira abaixar, enquanto seus companheiros de gestão passam a divulgar justificativas que façam do pecado uma virtude.

É bem possível o resgate da imagem de Cid seja bem sucedido, uma vez que as forças de oposição também parecem ter sumido. Uma ou outra liderança ainda esboçaram críticas nas redes sociais e foram prontamente intimidadas pelos governistas, que as acusaram de oportunismo.

Ora, a crise na segurança pública do Ceará não foi uma invenção de adversários do governador. Ela se impôs pelos acontecimentos e ganhou projeção devido a uma reação da própria sociedade. Apresentar-se como alternativa de negociação, apontar erros na política em vigor e cobrar ação imediata do governo estadual nunca foi uma opção para a oposição: trata-se de uma obrigação em relação a um tema que atinge todos os cearenses. Afinal, no rastro da atual crise outras questões se colocam. O único problema da segurança pública no estado é a baixa remuneração de seus agentes? Falta estrutura para combater o crime? As delegacias, que possuem fachadas novas, funcionam mesmo? Os policiais são bem treinados? E no interior? Os investimentos deram os resultados esperados? Os recursos foram mal aplicados? E o principal: a violência aumentou ou diminuiu?

Sem uma oposição que pressione o governo para vir a público responder a essas questões, as desculpas tolas e o discurso oficial prevalecem. Cid e seus adversários souberam falar na campanha eleitoral. PSDB, PSOL e PR, por exemplo, lançaram candidaturas. Onde estão todos agora? Por que seus críticos não reúnem comunidades, lojistas, igrejas, escolas, universidade, enfim, a sociedade civil, para tratar do assunto e mostrar que ainda vivemos com medo e que outros caminhos são possíveis?

*Wanderley FIlho é historiador



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