Com a palavra
Atualizado em: 17/08/2011 - 8:48 am

Por Wanderley Pereira

Leio um artigo do professor Antônio Mourão sobre os traidores e Pilatos revelados pela coligação cearense PT/PSB, que estiveram juntos na eleição de Dilma Rousseff e na reeleição de Cid Gomes, apesar das escaramuças urdidas pelas conveniências eleitorais locais. Mantida, porém, a união pelos artifícios dos interesses e não pelas afinidades de ideais, o doutor Mourão mostra em seu artigo que eles já estão de volta com suas velhas e conhecidas tricas, em torno das candidaturas à prefeitura de Fortaleza, quando estamos ainda a mais de um ano das próximas eleições municipais.

Cegos pela obsessão da vantagem, os traidores se identificam pela ambição desmedida que os excita quanto aos dividendos pessoais dos quais só abrem mão por outras vantagens. Seu caráter mórbido anula toda ideia de gratidão aos amigos leais que lhes deram a mão quando estavam na pior, ou que os projetaram na evidência pública ou privada que jamais conseguiriam pelos méritos pessoais. De posse do objeto de suas ambições, quebram a escada pela qual subiram para não ter junto de si os que lhes fustiguem a consciência do reconhecimento e dever de gratidão.

O maior dos traidores, Judas Iscariotes, que até hoje é enforcado nas comemorações da Páscoa, deu uma rasteira em Jesus de Nazaré, a quem seguira como uma escada que o levaria aos céus. Tão ingrato, tão pérfido foi seu ato que ele procurou afogá-lo no suicídio. Não foi diferente com Pôncio Pilatos, que mesmo proclamando a inocência de Jesus, lavou as mãos numa atitude de extremo egoísmo, para satisfazer a interesses puramente políticos da época. Também suicidou-se. No entanto, continuam mais vivos do que nunca na história da humanidade como inomináveis traidores.

A história mantém viva a figura de Marcus Június Brutus, conhecido pela famosa frase do seu pai adotivo, o imperador Júlio César, que, ao descobri-lo entre seus traidores no Senado romano, afirma: “Até tu, Brutus!”. Aliás, a figura repulsiva de Brutus foi também tema de artigo anterior do professor Mourão sobre traidores. Aqui no Brasil, estão na galeria dos grandes traidores o português Antônio Silvério dos Reis e o brasileiro Domingos Fernandes Calabar. Um levou Tiradentes à forca em troca de pensão vitalícia da Coroa, outro se vendeu aos holandeses na invasão da Capitania de Pernambuco.

Essa figuras bizarras se eternizam no tempo pelas nódoas do caráter. E estão tão vivas que Calabar é sinônimo de traidor como Al Capone é de mafioso. O professor Mourão mostra que, no Ceará, eles também reaparecem a cada eleição, quando o egoísmo patológico lhes aguça o apetite de deslealdade. E vão entrar para a história nem que não queiram como castradores de lideranças promissoras e dos homens públicos honrados vítimas da sua insaciável sede de ambição.

Wanderley Pereira é jornalista e escritor

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