Opinião
Atualizado em: 17/11/2011 - 9:12 am

Por Wanderley Filho

O que já era devagar, ficou mais lento ainda.

O choque entre realidade e discurso geralmente serve para decantar o que é conversa fiada do que é compromisso sério. No Brasil, estranhamente, quanto mais os fatos desmentem as lorotas, mais os mentirosos ganham credibilidade.

No começo de 2007 o Programa de Aceleração do Crescimento, o simpático PAC, foi lançado como promessa de obras para o segundo mandato de Lula. Como o próprio nome enuncia, não se tratava de prover crescimento, mas de incrementá-lo. O resultado, vendido como espetacular revolução, foi um crescimento muito aquém do registrado no Brasil, por exemplo, no milagre econômico dos anos 70, ou dos demais países emergentes na última década, em especial China, Rússia e Índia.

Como o PAC não acelerou a economia e com a aproximação das eleições presidenciais de 2010, o governo criou o PAC 2, feito para concluir as obras do PAC 1. Resultado: as ações do programa que não sairam do papel ou que não conseguiram cumprir os prazos viraram provas de competência gerencial da candidata Dilma Rousseff, a “mãe do PAC”.

É claro que diante de cobranças ou críticas, os governistas aceleram mesmo é a criação de desculpas, classificando de torcedores da desgraça quem pede eficiência na execução do PAC. Principalmente agora, que temos uma presidente com perfil técnico, que exige resultados, etc. etc. etc.

Pois bem. Vamos atualizar o engodo do PAC. O jornal Folha de São Paulo do dia 16 de novembro informou que os desembolsos com obras do PAC de janeiro a outubro deste ano foram 14% menores do que no mesmo período do ano passado. Ou seja, o que já andava atrasado agora vai atrasar ainda mais. Na prática, temos um Programa de Desaceleração do Crescimento. E adivinhem, entre os muitos cortes previstos, qual o projeto que será desacelerado? A transposição do rio São Francisco, justamente uma das obras mais citadas como realidades prontas e acabadas pelos aliados do Ceará, especialmente na Assembleia Legislativa e no governo estadual.

O governo alega que a medida visa o cumprimento das metas fiscais. É o que antigamente chamavam de neoliberalismo. Mas disso ninguém lembra, assim como também não se fala em incompetência. Quando um país acelera muito na crença de que é maior do que atestam os números, a verdade e o bom senso vão se transformando em pontos cada vez menores em seus retrovisores.

Wanderley Filho é historiador



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