Opinião
Atualizado em: 12/06/2012 - 11:14 am

Por Wanderley Filho

Véspera do Dia dos Namorados. Em meio a uma crise no relacionamento, ele consulta os amigos. Dias antes, ela dera um ultimato. Cada um desejava conduzir o parceiro de outrora para caminhos diferentes. Ela queria a segurança da continuidade; ele queria vida nova. À noite, ela descobre, por meio de terceiros, que a partir do dia 12 de junho, cada um seguirá para o seu lado. A aliança se desfez, a união fatigou. O PSB decidiu, em anúncio feito por Cid Gomes, que não apoia o candidato escolhido pelo PT de Luizianne Lins. O mesmo Cid que pediu votos a Luizianne, a mesma Luizianne que pediu votos a Cid.

Cid e Luizianne em tempos de aliança. Foto: reprodução da TV Jangadeiro

O relacionamento se desgastou, não resistiu ao peso das obrigações cotidianas. A paixão eleitoral deu lugar aos deveres administrativos e fez sucumbir a união. O que antes parecia cumplicidade, não passou – o teste do tempo é implacável – de interesse passageiro. E os elogios gravados em propagandas eleitorais se transformam em críticas azedas, em negações, ambos os lados testemunhando decepções e lamentos, findando em acusações mútuas de intransigência.

Em jogo, agora, a disputa para saber quem fica com a guarda de Fortaleza. Que aguardem os cidadãos que apostaram (e os que dependem) da coligação celebrada na vitória da eleição passada, quando as juras de fidelidade davam a impressão de que era imortal o que não passava de chama.

Simbolismo perfeito
Nada poderia ser mais simbólico do que a constatação de uma separação – de fato, aguardando ser de direito – no dia em que as pessoas comuns celebram as uniões verdadeiras e livres. Como metáfora, é a demonstração perfeita da completa dissonância entre os nossos gestores e as esperanças da população, entre a política interesseira e o ideal de servir por vocação. Enquanto os poderosos mudam de aliados e de adversários ao sabor das conveniências eleitorais, o eleitor, coitado, busca alguém que tenha compromisso com a cidade e com a palavra empenhada.

A vida continua, todos sabem. No entanto, os momentos que se seguem a uma separação política são de exposição, nunca de reserva. Cada um tentará fazer prevalecer a sua versão e ninguém dirá que o verdadeiro traído nessa história foi o eleitor. Cada um garantirá que está aberto a dialogar com outros parceiros para assim compensar o rompimento do presente. E farão novas juras de amor e fidelidade, prometendo que agora sim Fortaleza será bem cuidada. Até o próximo dia dos namorados, ou melhor, até as próximas eleições.

Leia mais opinião no blog do Wanfil.



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