Com a palavra
Atualizado em: 07/05/2011 - 2:38 pm

*Por Luiz Henrique Falcão

Lembro-me do tempo em que minha mãe me mandava ir ao supermercado, fazer pequenas compras, e ela dizia: – “Vá e volte logo antes que o homem da pistola chegue”. Algum tempo depois, entendi o real sentido daquela frase, tratava-se da inflação! Com o tempo, percebi ainda que colégio eleitoral não o lugar onde os políticos estudavam, e que curral eleitoral não era o lugar para onde cédulas eleitorais iam, a fim de servir de alimento para animais. Essas descobertas faziam parte da minha vida e do meu amadurecimento e fui crescendo e me dando conta da importância dessas questões, pois faziam parte da minha vida.

Descobri também, que política era algo que me chamava à atenção, ficou muito claro minha paixão e interesse político, por entender que podemos fazer dela um instrumento legítimo de mudança. Capaz de ajudar e beneficiar as pessoas, obter melhores condições de vida em nossa cidade e construir um mundo melhor para nossos filhos.

Quando somos jovens temos muitos ideais, uma visão romântica do mundo e comigo não foi diferente. Acreditava podia mudar o mundo, sonhava em ajudar muitas pessoas, ser um homem bom, e para tanto, a política me parecia ser um bom caminho. Acompanhei toda a “era mudancista” desde seu nascimento ao seu declínio. Notei que quando acreditamos em algo verdadeiramente, nos comprometemos com afinco e responsabilidade, respeitando o próximo, podemos realizar e fazer toda a diferença.

No meio das minhas descobertas, infelizmente me deparei com um lado obscuro da política, um lado onde os interesses pessoais estão acima dos coletivos, onde a ética e o real sentido de se fazer política são deturpados de forma abrupta. Onde as relações de amizade e poder se entrelaçam com o objetivo único de se obter vantagens pessoais ou para uma minoria que comanda esse lado sujo e que nos causa desinteresse, descrédito e até mesmo repulsa. Isso me causa rancor e me envergonha profundamente.

Me pego pensando como é possível dormir tranquilamente sabendo que sua receita é proveniente de dinheiro obtido de forma ilícita, superfaturando auxílios e benefícios de pessoas já tão sofridas e massacradas pela dureza da vida e falta de oportunidades. Artigos considerados de primeira necessidade, previsto em lei como remédio, alimento e moradia, por exemplo.

Nossa memória curta e vida atribulada nos ajuda a esquecer mais rapidamente ou fechar os olhos para os despautérios e escândalos presentes em nosso cotidiano. Contudo, não podemos deixar de acreditar em nossos ideais e nossa essência, nosso humanismo e vontade de fazer melhor… Enquanto eu puder, farei apenas a minha parte, como conta a fábula do incêndio na floresta, onde uma pequena abelha levando uma gota d’água para apagar o incêndio trabalha e as outras riem, achando inútil sua tarefa, mesmo assim, ela segue adiante.

Por onde passo e converso, observo o mesmo sentimento nas pessoas, mas quantos de fato fazem sua parte? Faça uma autoanálise! Você se interessa em saber e procura ajudar a resolver os problemas encontrados em sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, seu País.

Comece mudando a si, sua família e seus amigos. Colabore com suas ideias, não ignore o problema!

Não podemos aceitar de forma pacífica que política não é uma forma de mudança ou que é lugar pra gente ruim, e que só tem ladrões! Precisamos entender o que é fazer política de verdade, dar crédito aos que estão chegando com garra de mudar e acima de tudo, exercer nossa cidadania com segurança, avaliando e medindo quem será capaz de nos representar melhor. Enfim tente não desanimar.

Luiz Henrique Falcão é membro da executiva municipal do PSDB de Fortaleza.



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