Com a palavra
Atualizado em: 08/06/2011 - 8:07 pm

Por Wanderley Filho*

A confusão envolvendo professores em greve e a Guarda Municipal em frente à Câmara de Vereadores, comove tanto quanto os bombeiros presos no Rio de Janeiro.

Se por um lado é inadmissível que manifestantes interditem vias públicas ou impeçam o direito de ir e vir de vereadores, por outro, é compreensível a indignação da categoria diante de uma realidade de descaso absoluto. A precariedade dos salários dos professores é parte de um todo cujo resultado é a classificação de Fortaleza como quarta pior cidade no ranking da educação cearense.

É fato que uma causa justa não dá o direito a seus defensores de promover a desordem, como também é certo que cabe às autoridades assegurar a preservação do patrimônio público e a manutenção do estado de direito. Mas é preciso bom senso e discernimento para não confundir profissionais que manifestam descontentamento em relação a um governo, com bandidos que promovem ações deliberadas contra a sociedade.

O diretor da Guarda Municipal alegou, em defesa da ação empreendida contra os professores, que não poderia deixar a Câmara virasse refém dos manifestantes. Em tese, parece justificável, no entanto, as imagens do episódio deixam claro que a utilização de bombas de efeito moral e spray de pimenta era dispensável. A reação desproporcional das forças de segurança, especialmente a Guarda Municipal, revela que o preparo da instituição para situações de crise deixa muito a desejar.

Se os fins não justificam os meios para quem protesta, o mesmo vale para quem deve conter os eventuais exageros que podem acontecer em situações passionais. Nesse caso, quem não pode jamais se deixar levar pela emoção é a Guarda Municipal.

Por fim, resta lamentar que outras instâncias de negociações não tenham sido suficientes para que a Prefeitura de Fortaleza pudesse colocar a educação como uma prioridade em sua agenda, ao contrário de festas e shows pirotécnicos.

* Wanderley Filho é Historiador e editor do Portal Jangadeiro on Line.



5 comentários







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Sávio Palácio | quinta-feira junho 9 2011 | 16:20

Realmente houve exagero da Guarda Municipal, mas não podemos deixar de levar em consideração a atitude dos professores. Depois de fechar o acesso à Câmara de Vereadores, eles foram para cima dos guardas municipais. Estava de passagem e acabei parando ali um bom tempo para ver o desfecho lamentavelmente trágico da situação. Greve muito mal conduzida essa.

Tatiana | quinta-feira junho 9 2011 | 23:16

É inacreditável esses tipos de comentários! “Se deixar levar pela emoção”???? “FALTOU BOM SENSO”??? É pra rir??? Porque as pessoas gostam tanto de criticar, de falar mal do que nem ao menos se deu ao trabalho de analisar?? Ô seu Wanderley, vc por acaso fez algum curso na esfera da segurança pública?? É alguém que sabe o que é trabalhar com segurança pública??? É alguém da área??? Sim, porque só assim pra ter mérito pra criticar a ação! Põe a mão na consciência e se não sabe o que é segurança pública, se não sabe o que é o uso progressivo da força e o que pode ocorrer se não souber usas as ações cabíveis, então NÃO FALA DAQUILO QUE VC NÃO SABE, A GUARDA MUNICIPAL DE FORTALEZA ESTÁ REALIZANDO UM EXCELENTE TRABALHO E SE NÃO FOSSEM ELES, OS MANIFESTANTES TERIAM INVADIDO A CÂMARA E TERIAM DEPREDADO TUDO, BEM COMO OCORRIDO OUTROS DESASTRES!!! Isso que escrevi é uma projeção real com base em histórico do que já aconteceu, ou seja, eu sei o que tô escrevendo, ao contrário de vc que só quer aparecer!

Wanderley Filho | sexta-feira junho 10 2011 | 19:04

Tatiana, eu não fiz curso de segurança. Mas, assim como não cursei medicina, posso constatar que uma política pública de saúde tem problemas quando há superlotação em hospitais. Nessas horas, a lógica deve ser utilizada. Provavelmente, mesmo sem nunca ter pilotado um Boing, a senhora tinha uma posição sobre o caos aéreo.

Mas se você acha fundamental o “argumento de autoridade”, informo que tenho uma licenciatura, já dei aula e sei o que é uma sala de aula. Sobre a atuação da Guarda, mantenho o que disse – a reação foi desproporcional – embasado pelos fatos, e não numa hipótese sobre uma provável “invasão” com elevado potencial de destruição.

Saudações,

Wanderley.

Marcel Cunha | sábado junho 11 2011 | 10:09

Os fins não justificam os meios?

Vamos só fazer um exercício de memória para ajudar os “esquecidos”:
– O sindicato da categoria em greve tenta negociar com a prefeitura desde outubro de 2010 (isso pode ser atestado com documentos);
– Após deflagrar greve foi agendado, por várias vezes, uma possível negociação na Secretaria de Educação e na Secretaria de Administração. E por várias vezes a comissão dos professores entrou, esperou, esperou e teve que retornar sem negociação porque a prefeitura suspendia a audiência;
– Nas poucas vezes que havia um diálogo a prefeitura não tinha proposta, só dizia que já paga o piso;
– A prefeita, mesmo NUNCA tendo recebido os professores e NUNCA tendo negociado antes da greve, diz que também não negocia com grevistas.

Portanto, o que deve ser observado é que os MEIOS são escassos diante da mão de ferro dessa gestão municipal, e nós professores, ficamos com a última alternativa que todo e qualquer trabalhador dispõe: GREVE.

É importante também lembrar aos “esquecidos” que os professores foram reprimidos pela Guarda Municipal numa ação realmente desproporcional.

É fácil argumentar que conhece a história e trazendo fatos descontextualizados para fundamentar uma argumentação que não se sustenta. Basta analisar os 45 dias da greve atual para perceber que nos seus vários atos públicos, assembleias gerais dentro da própria câmara e na própria ocupação do plenário da CMF, NUNCA houve depredamento.

Lembrem-se também que o Sr. presidente da CMF realizou a tão “democrática” votação de forma abusiva, pois o próprio regimento interno da Câmara não permitia que a sessão acontece. Além disso, ele e seus colegas vereadores, convocaram seus capachos, diretores das escolas, para ocupar as cadeiras da galeria na intenção de garantir que não houvesse mais lugar para professor e tentar, assim, justificar a ação truculenta e antidemocrática.

Outra lembrança muito importante é que a Guarda Municipal não é Polícia Municipal, portanto deve proteger o patrimônio municipal e o que eles fizeram claramente foi uma ação de repressão policial, pois se lembrarmos do turno da tarde do dia 07/06, observaremos que a Guarda Municipal, seguindo as ordens dos senhores Acrísio Sena e Arimá Rocha, reprimiram os professores literalmente no meio da rua. Usaram a força com essa pífia justificativa de que os professores estavam desrespeitando do direito de ir e vir dos vereadores. Coitadinhos!

Só não vou aqui, listar os direitos que os vereadores, esses coitadinhos, desrespeitaram e desrespeitam todos os dias porque não tenho tempo para escrever tanto.

Bom, espero que refresquem a memória sempre antes de emitir opiniões apressadas.

PROFESSOR NA RUA, A LUTA CONTINUA !!!

silvia | terça-feira junho 14 2011 | 20:33

Tatiana, você considera correto uma prefeita e seus veradores se colocarem acima de uma lei federal e, ainda, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal? E se esse comportamento passar para outras esferas e outros segmentos? O Supremo mandou soltar o Cesare Batisti e, poucas horas depois, ele estava num hotel! O Supremo é desreipeitado em Fortaleza e tem gente que concorda! A nossa luta por um piso salarial é histórica!! Muitas gerações de professores aguardam por esse momento. Alguns morreram…Mas a nossa luta não será em vão! Nosso legado beneficiará as próximas gerações de professores que, por sinal, é uma profissão em extinção num país que trata a educação com desdenho e deboche!!!






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