Ceará, Opinião
Atualizado em: 16/02/2012 - 5:38 pm

Comentário exibido no programa Barra Pesada

Não é fácil entender que diante de tanto sequestro para investigar, tanta droga, tanta quadrilha, tanto ficha-suja, tanta corrupção, tanta violência contra a criança, ainda se tenha tempo para investigar possíveis crimes que teriam ocorrido na greve dos policiais militares no Ceará. Se a greve passou, o governo atendeu às reivindicações dos grevistas, negociou a anistia dos punidos e tudo voltou ao normal, qual o sentido agora de exumar o defunto que está sendo consumido pelo tempo?

Kit sanitário "parcialmente" construído em Pindoretama, caso que deu origem as investigações em outros 53 municípios. (Foto: Reprodução TV Jangadeiro)

Se o Ministério Público Cearense foi um dos mediadores para a solução no momento extremo da greve, por que retomar o caso agora com a intenção de revirar a ferida, depois de cicatrizada? Por que não retomarmos agora outros casos mais graves e até hoje sem resposta, como o do escândalo dos banheiros e outros processos cabeludos anteriores à greve dos policias? E se houve crimes na greve do Ceará, por que não se aplicou, no momento adequado, o mesmo regime de penas aplicado pelos governos da Bahia e do Rio de Janeiro?

Depois do leite derramado, o que resta agora é limpar o chão, ajustar os parafusos internos da segurança pública, rever os equívocos do Estado e revigorar a instituição policial, para que cumpra o papel que lhe compete no combate à onda criminosa e na proteção do cidadão. Num mundo como o nosso em que cinco crianças morrem de fome a cada segundo, há uma insegurança maior pedindo investigação, além daquela do policiamento ostensivo e preventivo para garantir a alegria na colorida indiferença das multidões nas ruas nos dias do carnaval que está começando.



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