Opinião
Atualizado em: 07/09/2011 - 11:23 am

Por Wanderley Pereira

Não temos nada contra o deputado Wellington Landim (PSB) e até o incluímos entre os políticos mais sensatos, com um bom relacionamento com a imprensa e uma atuação sóbria no parlamento. Achamos inclusive que ele seria mais útil, para a sua comunidade em Brejo Santo, como médico do que na política, porque para o cidadão, para o trabalhador, antes os bons médicos do que os maus políticos predadores dos recursos públicos e protagonistas dos escândalos que o País coleciona.

Mas achamos que o deputado saiu da sua normalidade e se exacerbou no seu confronto com a PM que, dentro do seu papel na segurança pública, entendeu de vistoriar o carro do seu correligionário e ex-prefeito cassado de Jardim, Fernando Luz. Pelo noticiário sobre o episódio (leia aqui), o deputado tomou as dores pelo amigo e transformou a imunidade parlamentar em abuso de autoridade ao reagir contra a abordagem dos PMS com termos humilhantes e ofensivos aos policiais, em vez de recorrer aos seus supostos direitos como qualquer cidadão comum deve decorrer.

Foi uma crise de carteirada comum nos tempos do coronelismo do sertão e dos regimes autoritários que não se coadunam mais com a nova ordem legal, nem com a modernidade. A autoridade, o mandato político, os títulos, o prestígio e o poder são aumento de responsabilidade e compromisso com a segurança e o bem-estar da sociedade e não instrumentos de opressão e de humilhação das classes inferiores. Esses maus exemplos encobertos pela impunidade servem exclusivamente para deturpar o sentido de autoridade e estimular a violência que é o grande câncer da atualidade.

Fica na cabeça do cidadão comum a sensação de que a polícia, instituição que representa o Estado na preservação da ordem e da segurança públicas, nada pode contra os poderosos infratores e prende apenas os humildes, os simples, que não têm para quem apelar, nem dispõem dos títulos nem mandatos que lhes garantam a imunidade. A Assembleia Legislativa e o Governo do Estado aos quais se filia politicamente o deputado Wellington Landim, sinalizam mal com o profundo silêncio que adotaram diante desse e de outros episódios de arrogância e abuso semelhantes.

Wanderley Pereira é jornalista e escritor.



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