Opinião
Atualizado em: 19/10/2011 - 9:01 am

*Por Wanderley Filho

Ao falar no programa Primeiro Plano a respeito da corrupção no Brasil, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, lançou luz sobre um ponto pouco explorado quando o tema é desvio de dinheiro público, mas que deveria ser central nas sociedades democráticas: o papel do eleitor na luta contra a corrupção.

Indagado se a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de indivíduos que tenham sido condenados em segunda instância, seria um bom instrumento de decantação dos quadros políticos que disputam cargos públicos, o ministro foi certeiro ao lembrar que a obrigação de avaliar o passado dos postulantes é dos partidos políticos e do próprio eleitor.

Gilmar Mendes trata eleitores como adultos. E assim deve ser. Cabe aos representados zelar pela qualidade da ficha de quem os representa. Claro, outros fatores contribuem para o quadro de degeneração política e institucional do Brasil, e isso é dito na entrevista, mas é bom ter em mente que o caminho mais rápido e legítimo para mudar é e sempre foi o voto.

Completo a constatação de Mendes com duas observações: 1) é preciso educar o eleitor; 2) não pode haver condescendência com o erro. Educar o eleitor não significa induzi-lo a votar em determinado partido ou doutriná-lo ideologicamente, como bem pensam milhares de professores que assediam alunos em sala de aula. Significa ensiná-lo a pensar no candidato como sua (dele) responsabilidade, assim como um empregado é responsabilidade de seu empregador. Não condescender com o erro significa tolerância zero mesmo. Saiu da linha, não tem perdão. Não importa o carisma, o potencial de votos, a relevância histórica, as promessas ou o passado. Na Alemanha, o chanceler Hemult Koll, que comandou a reunificação do país, popular, um dos mentores da União Européia, herói nacional, foi escorraçado da vida pública após 16 anos de mandato com a revelação de que o seu partido operava um caixa dois. ele alegou que não sabia, mas os alemães o consideraram beneficiário do ilícito. Com 70% da população exigindo a sua renúncia, ele foi aposentado.

Se isso tivesse ocorrido no Brasil após o escândalo do mensalão, provavelmente não haveriam tantas passeatas pelo fim da impunidade para corruptos. Por isso, amigo eleitor, não se esqueça: os erros de um adversário não justificam os erros de qualquer grupo político (desculpa comum por aqui); despreze partidos que abrigam corruptos; e tenha sempre em mente que os fins não justificam crimes de corrupção.

 * Wanderley Filho é historiador



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