Opinião
Atualizado em: 24/09/2011 - 10:47 am

Para o bom gestor, indagações não são ofensas

Por Wanderley Filho*

Em seu esforço para mostrar algum serviço na reta final do mandato à frente da capital cearense, a prefeita Luizianne Lins voltou a visitar as obras do Hospital da Mulher, promessa antiga e principal vitrine de suas campanhas eleitorais. (Veja aqui.)Na ocasião, indagada por jornalistas sobre o prazo de conclusão da estrutura, a prefeita se recusou a dar uma data e responsabilizou a imprensa por essa postura.

Segundo Luizianne, estabelecer um plano de entrega servirá apenas para a imprensa focar na cobrança do prazo, deixando de lado a essência benevolente da obra. Como o leitor já deve estar desconfiando, os jornais entram aí como bodes expiatórios para que a prefeita não tenha que se explicar sobre os evidentes atrasos da construção.

Longe de ser um capricho impertinente dos profissionais da imprensa, a prática de definir datas de conclusão para obras é inerente a qualquer trabalho e existe muito antes de Luizianne ter sido eleita prefeita. Serve para dimensionar custos, inteirar os contribuintes sobre a execução do projeto, dar transparência à evolução do trabalho e facilitar o planejamento da linha de balanço, evitando eventuais desperdícios. Por isso, perguntar sobre prazos não é uma opção do jornalista, mas uma obrigação. Já para o gestor, isso não deveria ser visto como uma provocação, mas como uma oportunidade de mostrar eficiência e ser claro com a população.

Entretanto, é preciso reconhecer que a prefeita de Fortaleza tem seus méritos. Ao contrário do secretário das Cidades, Camilo Santana, no escândalo dos banheiros, Luizianne não responsabiliza subalternos de segundo escalão pelo que não dá certo em sua gestão. E diferentemente do governador Cid Gomes, que evitou falar com a imprensa após a reunião com o comando de greve dos professores estaduais, realizada sob impacto das novas  denúncias sobre um possível escândalo nos empréstimos consignados, a prefeita pelo menos aparece para dar alguma satisfação, ainda que de forma vaga e despropositada.

Resumindo: Luizianne mostra o rosto na esperança de mudar a imagem desgastada, enquanto Cid evita a imprensa, na esperança de que mudem de assunto e assim não seja obrigado a dar explicações sobre revelações constrangedoras.

Wanderley Filho é historiador e estudante de jornalismo.



2 comentários







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ANA PAULA | sábado setembro 24 2011 | 16:03

culpar aos outros por sua imcompetencia administrativa já virou rotina nessa gestão, lamentável

Evalson Alves | sábado setembro 24 2011 | 22:06

Já não basta as obras no Brasil nunca acabarem na data prevista, eles ainda querem institucionalizar que obra no Brasil só tem data para começar, mas não para acabar. Senhora prefeita em qualquer lugar do mundo, até na África, pergunte seus parceiros empreiteiros que fazem obras por lá, que até mesmo em locais em guerra, as obras possuem datas para terminar.