Opinião
Atualizado em: 05/01/2012 - 4:22 pm

Por Wanderley Filho*

Durante a greve de policiais militares e bombeiros no Ceará, noticiada em rede nacional pelos grandes veículos de comunicação, causou espanto a ausência e o silêncio do governador Cid Gomes, autoridade maior do Estado e chefe das corporações em paralisadas. Nenhuma palavra ou imagem. Nas redes sociais, a pergunta se repetia: Onde está Cid Gomes? E a falta de uma resposta reforçou a impressão de abandono denunciada pelos próprios amotinados.

Na política, fazer-se presente em situações de comoção social é uma regra para governantes. É mais comum em acidentes de grande porte, como enchentes ou desabamentos. É uma forma de mostrar apoio aos que estão sofrendo, de garantir à população que o poder público está agindo e, de quebra, construir a imagem de líder atuante e próximo aos clamores do povo. Não existe vácuo. Se o líder não ocupa esse espaço, ele é ocupado por seus críticos e adversários. Outra regra, menos difundida, é a de fazer-se ausente. É quando, por exemplo, o político se vê obrigado a enfrentar acusações difíceis de explicar, à espera da poeira baixar.

É consenso geral que Cid Gomes errou na decisão de fazer-se ausente durante a crise mais aguda que seu governo já atravessou. Disso nem mesmo seus aliados discordam mais. A falta de ação soou como paralisia de comando, uma espécie de autismo nascido da insensibilidade com a situação vivenciada pela população amedrontada. Pegou mal.

Pior ainda é persistir no erro. Cid continua em silêncio, permanece ausente. Afinal, quando ele irá se pronunciar? Quais os termos do acordo feito? Qual o futuro da Secretaria de Segurança e de seus titulares? São questões urgentes e de interesse geral que somente o governador poderá responder.

Há quase dois mil anos o historiador romano Tito Lívio já alertava que em alguns casos, para o governante, o perigo está demora (Periculum in mora). O conselho continua valendo, governador. A falta de diálogo aumenta o desgaste. Apareça e se explique aos cearenses, que pagam caro pela Segurança Pública.

*Wanderley Filho é historiador



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carlos | segunda-feira janeiro 16 2012 | 18:59

Deve está pensando nas decisões que tomou com relação à greve. Sua cúpula não o orientou de forma correta, aí de no que deu.