Opinião
Atualizado em: 10/01/2012 - 10:40 am

Por Wanderley Pereira

Já dissemos aqui e repetimos que os parlamentos viraram poderes homologatórios dos governantes. Não existe oposição porque todos estão unidos, com raras e corajosas exceções, nas cirandas administrativas das concessões, vantagens e divisões do bolo oficial de fartos recursos que faltam para a melhoria da segurança pública, da saúde, da educação de qualidade, do saneamento, da moradia e do emprego honrado.

Se vemos o Congresso Nacional unido em peso em torno do governo federal, para auferir favores em troca da bajulação, o quadro é vergonhoso também nas assembleias estaduais e nas câmaras municipais. Tudo funciona a serviço do Executivo, que indica quem deve ocupar a presidência, que elege as bancadas, que faz as composições, reparte os recursos do tesouro e decide quem é ou não inimigo do governo. Quem não for da bancada do amém, será marginalizado, hostilizado, perseguido e banido da vida pública.

O coro do cantochão oficial, nos parlamentos, pago a peso de ouro, é tão obediente, tão harmonizado com o discurso do governo, que vimos, no episódio da greve dos policiais militares e bombeiros no Ceará, toda a Assembléia Estadual reunida para massacrar um frágil deputado estadual que se tornou um gigante na defesa dos grevistas. Como voz solitária no plenário, apoiado por dois ou três pares corajosos, ele se viu ameaçado pela ira dos deuses que não aceitam a oposição. E tamanha é a cooptação oficial que ninguém quer correr o risco de ser oposicionista para não ficar fora do bolo ou inviabilizar seus projetos políticos.

É aí que reside a mais grave tragédia, na ausência de uma oposição para contrapor o debate político e fiscalizar as ações dos governantes que exercem hoje um poder despótico, absoluto, graças à unanimidade reverente, submissa, que mantém nos parlamentos. Isso é ruim demais para a sociedade que não se vê representada na defesa dos seus reais interesses e necessidades. E é o que dá margem a toda essa onda de corrupção e impunidade, consolidando uma cultura de indecência generalizada. Ou seja, todos unidos pelas vantagens decorrentes das iniqüidades administrativas.

Desse caos moral da gestão pública com a conivência dos parlamentos e o vazio da oposição resulta toda essa gama de excrescências que vemos por toda parte. Nos ministérios federais, nas secretarias de governo, nas prefeituras, nas assembleia estaduais, nas câmaras de vereadores predominam as fraudes, o nepotismo, o peculato, o desvio, o descaminho, a roubalheira descarada e, por extensão, o caos generalizado na segurança pública, na saúde, na educação e até no repasse dos recursos para o socorro às milhares de vítimas dos flagelos das chuvas ou das secas. A falta de uma oposição firme, ativa e independente é a fonte de todas essas misérias que conjugam para o agravamento cada vez maior da crise moral no nosso Estado e no nosso País.

Wanderley Pereira é jornalista da TV Jangadeiro



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