Em Brasília
Atualizado em: 12/06/2012 - 10:41 pm

Perillo nega relação com Cachoeira e diz que venda de casa foi legal. Foto: Agência Senado

Em depoimento de mais de oito horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga as atividades criminosas de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), negou ter qualquer relação de proximidade com o contraventor goiano. Disse jamais ter tido contato com o ex-dono da construtora Delta, Fenando Cavendish e informou ter vendido de forma legal e de boa fé a casa onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal em fevereiro deste ano.

“Injustiça”
No mais concorrido e longo depoimento já colhido pela comissão desde que começou seus trabalhos em 25 de abril, o governador disse que está sendo vítima de uma “grande injustiça, originada em ataques odiosos e sem limites”. E fez questão de ressaltar que foi à comissão de forma voluntária. Também aproveitou para listar feitos do governo do Estado de Goiás. A seguir, os principais pontos do depoimento.

Cooptação de policiais
Marconi Perillo recorreu aos números para se defender da acusação de que a quadrilha de Cachoeira cooptava policiais no Estado. “Temos 12 mil PMs em atividade e 3 mil policiais civis. Destes, 34 foram indiciados pela Polícia Federal. Todos tiveram armas e carteiras recolhidas e foram afastados de suas funções imediatamente. Hoje estão respondendo a processos administrativos”, explicou.

Proximidade com Cachoeira
Mais uma vez o governador recorreu aos números ao lembrar que, em três anos de investigação e em 30 mil horas de gravações, não há registro de nenhuma ligação telefônica entre ele e Carlos Cachoeira. “Se fôssemos próximos, obviamente ele teria acesso a meus telefones particulares e os do meu gabinete. A própria investigação faz prova a meu favor. Como pode uma pessoa ter ligação comigo se em três anos de monitoramento, não há sequer uma ligação para mim?”, indagou.

Marconi disse que não pode ser responsabilizado por diálogos de terceiros e reconheceu ter ligado apenas uma vez para Cachoeira para lhe dar parabéns pelo aniversário. “Estava numa reunião social na casa de amigo quando um dos presentes disse que era aniversário e perguntou se eu não queria falar com ele. Naquele momento, eu estava ligando para um empresário da indústria farmacêutica e não para um contraventor”, alegou.

Delta
O governador afastou a possibilidade de favorecimento da Delta por parte do governo do Estado, ao afirmar que a empresa detém apenas 4% do total de contratos da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). Marconi Perillo salientou que, de um universo de mais de R$ 1 bilhão, a Delta tem apenas R$ 51 milhões. Ressaltou ainda que, entre 2008 e 2012, a empresa participou de 140 processos licitatórios e conseguiu 19 contratos, sete no governo dele.

“Não há influência, sobrepreço, esquema com empreiteiros ou propina. Desafio uma auditória nas obras do meu governo. É evidente que não há lógica nas acusações de influencia em licitações ou poder paralelo”, disse. Ele ainda negou ter recebido dinheiro da Delta para campanha eleitoral de 2010. “Deve ter feito a outras campanhas, para mim, não.”

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