Primeiro Plano
Atualizado em: 19/10/2011 - 4:10 pm

Senador Pedro Simon (PMDB/RS) recebeu a equipe do Primeiro Plano em seu gabinete em Brasília.

Na segunda entrevista da série especial “Como varrer a corrupção do Brasil”, do Sistema Jangadeiro de Comunicação, o programa Primeiro Plano foi à Brasília conversar com o senador Pedro Simon (PMDB/RS), um dos parlamentares mais experientes do Congresso Nacional, e que lançou no mês de agosto uma frente suprapartidária contra a corrupção e a impunidade.

Os males da governabilidade
O parlamentar destaca como principais causas da corrupção a impunidade e as barganhas que os governos fazem para manter a maioria no Legislativo, a chamada governabilidade.

“A governabilidade no Brasil é um escândalo, uma imoralidade, uma indecência. Governabilidade é um termo bonito da política. O que é? O governo se elege e para governar precisa ter maioria no Congresso. Então ele vai dialogar buscando um entendimento. Isso se chama governabilidade. Agora, no Brasil, a governabilidade se transformou em ilicitude“.

“A presidente Dilma disse recentemente que não aceita malfeito. Primeiro ela falava em faxina, mas aí o termo foi mal aceito. ‘Quer dizer que o Lula deixou uma herança maldita?’ Se você der uma olhada no ministério que deram para ela, tem muita gente sem ficha limpa – a começar pelo chefe da Casa Civil que caiu um mês depois – e muita gente que não tem competência. Por que eles fazem isso? Porque ela precisa de maioria”.

Impunidade
Para Simon,  a corrupção existe em todo lugar, mas enquanto outros países punem os corruptos exemplarmente , no Brasil ninguém é condenado, o que causa descrédito perante a população.

O grande problema do Brasil é a impunidade. Hoje, 40% da renda nacional é levada pela corrupção. A diferença do Brasil para outros países do mundo não é, como alguns imaginam, que o Brasil seja um pais corrupto, enquanto isso não acontecem em outros países. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na China, no Japão e na Rússia, tem tanta corrupção ou mais do que aqui; a diferença é que lá tem punição. A diferença se chama impunidade“.

“No Brasil, o cidadão comete um crime, o político rouba, o banqueiro faz uma vigarice, é processado e é condenado por um juiz. Aí ele recorre. É condenado cinco, seis vezes! Mas sempre fica solto. Porque aqui no Brasil se diz: ‘Enquanto não for condenado em definitivo, ele fica solto’. (…) Se dependesse de mim, a tese que nós faríamos para o povo ter um finalidade [nos protestos], é terminar com a impunidade. É condenado a primeira vez? É condenado a segunda vez? Pode recorrer mais cinco vezes, mas vai para a cadeia”.

Ninguém no Brasil acredita que vá para a cadeia alguém que não seja ladrão de galinha. Quando pegaram um banqueiro e ele apareceu algemado na televisão, preso. No Senado, uns 20 falaram. Parecia que tinham derrubado uma bomba atômica. (…) O povão, cansei de ver algemado e preso e nunca ninguém gritou! Agora porque é um banqueiro, vira escândalo”.

Cadeia para políticos corruptos
Simon prega ainda que uma das formas de inibir a impunidade é  acabar com o foro privilegiado para políticos, que deveriam, a seu ver, ser julgados de forma mais célere. Em caso de condenação, ele cobra cadeia para os envolvidos.

É uma coisa escandalosa o foro privilegiado. Só o Procurador Geral da República me denuncia perante o Supremo. Os casos vão acumulando, são onze ministros… Esse foro privilegiado, na minha opinião, deveria ser ao contrário. Nós políticos deveríamos ter foro privilegiado determinando para quem roubou o Estado ser julgado em primeiro lugar. Na gaveta do delegado de polícia tem um montão de processos, e entre eles de algum político, esse vai em primeiro lugar”.

“Eu creio que um movimento de conceituação, de credibilidade, de respeitabilidade, tem que ser feito. Agora, como é que eu faço isso? Punindo o Joãozinho? Punindo o vereador? Punindo o batedor de carteira? Não! Tem que começar botando na cadeia o Pedro Simon. O Pedro Simon, metido a sério, honesto? Foi ver, é um malandrão. Pega, descobre a malandragem e prende! Tem que botar na cadeia o cara que está em cima. Tem que dar exemplo e começar a mostrar que a punibilidade existe.

Pressão popular contra a corrupção
Para o senador Pedro Simon, somente a pressão popular e o exercício da cidadania podem forçar alguma mudança nessa estrutura que hoje é complacente com a corrupção. “Do Pedro Simon, do Senado, do Congresso, não espere nada. Do Executivo, menos ainda. E do Judiciário menos ainda. Só muda se você pressionar”.

Nesse sentido, o parlamentar gaúcho incentiva as manifestações contra a corrupção e faz um apelo aos brasileiros.

Você meu irmão, vá para as ruas. Semana que vem, amanhã ou depois, vai ter um movimento, vá espontaneamente. Vá na internet, se interesse e debata. A Ficha Limpa só foi votada no Congresso porque teve hum milhão e quinhentas mil assinaturas. Os deputados e senadores não queriam votar! Mas um projeto popular, começou a causar dúvidas. O povo cercou o Congresso e o Senado votou por unanimidade. Essa foi uma grande conquista do povo. (…) Faça isso, não por mim, faça pelo teu filho, pela sociedade”.

Assista ao programa na íntegra:

Parte 1

Parte 2

Parte 3



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