Primeiro Plano
Atualizado em: 08/02/2012 - 6:18 pm

Jornalista Kézya Diniz recebe o sociólogo Leonardo Sá no Programa Primeiro Plano

Desde 2009 a Secretaria de Segurança Pública do Ceará não repassa informações sobre os registros de latrocínio no estado. A afirmação é do sociólogo Leonardo Sá, em entrevista exibiba no programa Primeiro desta quarta-feira (08). O coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da UFC cobrou transparência do governo sobre as estatísticas de assassinatos e questionou os números apresentados pelo poder público.

“Estamos fazendo uma checagem sobre o aumento das chamadas mortes indeterminadas, uma categoria que não inclui os homicídios dolosos, por exemplo. Mas já estamos encontramos casos incluídos nessa categoria que têm indícios de homicídio doloso”, denuncia.

Sem informação
O sociólogo questinou como é possível avaliar, propor soluções e planejar com eficiência as ações da força policial se o poder público omite as estatísticas da violência. “A sociedade tem o direito de participar das questões da segurança pública. É preciso envolver a participação popular, da sociedade civil e universidades no planejamento de ações estratégicas”, completa.

Não é bem assim
A questão dos investimentos para o combate à violência foi outro ponto desbatido no programa, sob o comando da jornalista Kézya Diniz. O governo do estado anuncia que nunca antes se investiu tanto em segurança como na atual gestão. O sociólogo Leonardo Sá, porém, apresenta um contraponto. Em comparação a outros estados do país, os recursos investidos ainda são tímidos. E de pouco adiantam se não houver um planejamento estratégico e um esforço conjunto para impedir o avanço dos registros de mortes, roubos e tráfico de drogas.

Um exemplo são as apreensões de armas no estado. Segundo Leonardo Sá, de fato o número de armas recolhidas é crescente a cada ano. Mas é preciso investigar a raíz do problema. Quem comercializa o armamento no varejo?“, questiona.

Para além do Crack
O coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da UFC criticou, ainda, o discurso de que a epidemia do crack é a principal explicação para o avanço da violência no país. “É muito fácil mostrar a violência das favelas, a violência de pequenos traficantes. Existem vários homicídios que não têm relação direta com o crack. Mas sim com o crime organizado, com grupos de extermínio com a participação inclusive de policiais militares”, alerta.

Greve e desmilitarização
Sobre a mobilização de PM’s no Ceará e outros estados, Leonardo Sá poderou que o modelo interno e o modo de ação da corporação no país ainda é baseado na lógica da guerra. Ele defendeu a desmilitarização da PM. Mas acrescentou que tanto policiais militares quando civis têm motivos reais para cobrar melhorias. “Se o campo governamental se fecha à negociação, como aconteceu aqui no Ceará, acaba provocando a greve”, conclui.

Assista ao programa na íntegra:

Com a colaboração da jornalista Juliana Castanha



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