Impeachment
Atualizado em: 03/09/2016 - 12:24 pm

Reunida em São Paulo, Executiva Nacional do partido decide incrementar as manifestações de rua contra o governo Michel Temer e pela antecipação de eleições presidenciais diretas. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Reunida em São Paulo, Executiva Nacional do partido decide incrementar as manifestações de rua contra o governo Michel Temer e pela antecipação de eleições presidenciais diretas. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Após reunião na sexta-feira (2), a cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu relançar a campanha das “Diretas Já” para pedir a antecipação das eleições presidenciais.

A campanha faz alusão ao movimento deflagrado entre 1983 e 1984, durante o regime militar, cobrando eleições diretas para a Presidência da República.

“Diante de um governo que não tem voto, que usurpa o poder, que assalta o poder, achamos que a única maneira de restabelecer a democracia é através do voto popular”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, ao justificar a decisão, referindo-se ao impeachment de Dilma Rousseff e à sua substituição por Michel Temer.

A deliberação foi tomada em reunião da Executiva Nacional do partido, da qual participaram o ex-presidente Lula e o senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado.

Outra situação
O PT inicialmente não havia aderido à proposta de novas eleições, feita pela então presidente Dilma Rousseff semanas atrás, quando o seu afastamento definitivo do cargo já era visto como certo. Em nota, o partido justificou que, “agora a situação é outra, pois o Estado tem à frente um governo usurpador, ilegítimo, sem votos, com um programa antipopular e antinacional”.

De acordo com o partido, “a recuperação da legalidade e o restabelecimento da democracia, nessas condições, somente se efetivarão quando as urnas voltarem a se pronunciar e o povo decidir os caminhos da nação”.

Mobilizações
Segundo a cúpula petista, para conquistar o apoio popular para a proposta de convocação imediata de eleições presidenciais diretas, “os caminhos devem ser a intensificação da mobilizações populares para reforçar a rejeição ao golpe e a viabilização de eleições diretas para o Executivo o quanto antes”.

Golpe
Na nota, o partido reafirma o seu entendimento de que foi vítima de um golpe, que o documento define como a “saída encontrada pelos setores hegemônicos do capitalismo brasileiro para interromper e reverter o processo de mudanças iniciado em 2003″. O impeachment de Dilma é apresentado como um movimento ultraliberal, deflagrado pelo ”grande capital”, para “impor uma contrarreforma capaz de demolir o sistema de bem-estar em construção pelas administrações petistas”.

Diretas
O movimento pelas Diretas Já surgiu com o regime militar já enfraquecido e levou grandes multidões às ruas das maiores cidades brasileiras. O clamor pelo direito de votar para presidente da República uniu toda a oposição à ditadura, além de mobilizar massivamente artistas, intelectuais e estudantes. Apesar de toda a pressão e do desejo de mudança que animava milhões de pessoas, faltaram 22 votos para aprovar a emenda constitucional que restabeleceria as eleições presidenciais diretas – a emenda Dante de Oliveira (nome do deputado que a apresentou). Apesar do resultado negativo da votação, realizada em 25 de abril de 1984, a campanha terminou de selar o fim do regime autoritário.

Tancredo
Em janeiro de 1985, a oposição derrotou o governo e elegeu, em um colégio eleitoral restrito, Tancredo Neves presidente do Brasil. O veterano político mineiro adoeceu, ficou impossibilitado de tomar posse e morreu pouco depois. A Presidência da República caiu no colo do seu vice-presidente, o maranhense José Sarney, que havia construído a carreira política como aliado dos militares.

Com informações do Congresso em Foco



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