Congresso, Polêmica
Atualizado em: 06/09/2011 - 8:41 am

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) criticou a intenção, manifesta no Congresso do Partido dos Trabalhadores, de aprovar um marco regulatório para a imprensa, “com a imposição de regras que visam tão somente impedir que jornalistas exerçam seu papel democrático de fiscalizar, denunciar e defender os interesses maiores da sociedade”. 

Ao criticar proposta, Jarbas Vasconcelos diz que "Pela lógica do PT, quem deixar de rezar pela cartilha vai ser jogado na fogueira do autoritarismo petista, disfarçado de progressista e democrático"

Segundo o peemedebista, tanto o PT quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiveram seu crescimento “fortemente ligado à liberdade de imprensa”, não vendo o senador motivos para as críticas de ambos aos veículos de comunicação.

Cartilha
Para o representante pernambucano, “toda vez que algum malfeito petista aparece nas páginas dos jornais e das revistas, a cúpula do Partido dos Trabalhadores se apressa em ressuscitar o chamado marco regulatório da mídia, nome pomposo para um verdadeiro tribunal inquisidor da comunicação, que os petistas querem implantar no Brasil”.

“Pela lógica do PT, quem deixar de rezar pela cartilha vai ser jogado na fogueira do autoritarismo petista, disfarçado de progressista e democrático”, afirmou.

Veja e Zé
Para Jarbas Vasconcelos, o malfeito atual é a denúncia da revista Veja, segundo a qual o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, montou um escritório em um hotel em Brasília que funcionaria como um ministério paralelo, já que lá recebe ministros, parlamentares e outras autoridades.

“José Dirceu prefere agir, como sempre fez, nas sombras, incógnito, disfarçado, quase um personagem de filme de espionagem, ou de gângster”, afirmou o senador, lembrando que o ex-ministro “é o mesmo que o procurador-geral da República acusou de ser o chefe de uma sofisticada organização criminosa, no processo do chamado mensalão”.

Liberdade
O senador afirmou que este tipo de comportamento “não combina mais com o Brasil dos tempos atuais”, como também não combina mais “qualquer tentativa de cercear a liberdade de imprensa”. Para ele, já existem instrumentos disponíveis para que eventuais excessos e equívocos sejam punidos.

“É preferível uma imprensa cometendo excessos e buscando reparar seus próprios erros do que uma imprensa tutelada pelo poderoso de plantão. Se os petistas querem ver jornalistas censurados, aconselho-os a visitar seus amigos ditadores, na Venezuela, no Equador ou em Cuba”, afirmou.

Denúncias de Corrupção
Já o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR) criticou  a movimentação do Partido dos Trabalhadores (PT) para propor um marco regulatório das comunicações. Para o senador, o partido quer calar a imprensa porque não se conforma com as recentes denúncias de corrupção.

Álvaro Dias associa a tentativa de "calar" a imprensa com as denúncias de corrupção no governo.

“Quando as denúncias explodem nos principais veículos do Brasil fala-se em regulação da mídia, como se desejássemos amordaçar a imprensa para que a corrupção pudesse campear fagueira na clandestinidade do submundo do governo”,  disse o senador em Plenário.

O Documento
O texto aprovado pelos delegados durante o 4º Congresso do PT, realizado no final de semana, fala em “conspiração midiática” apoiada ou dirigida pela oposição para dissolver a base parlamentar do governo e “derrubar a presidente Dilma Rousseff”. De acordo com o documento, o partido deve “repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora”.

“Ora, parece-me não ser o PT um instrumento adequado para definir o que é jornalismo marrom e o que é jornalismo sério no País. Mas é inaceitável, sob qualquer pretexto, querer cercear ou regular a mídia, amordaçar a mídia”, protestou Alvaro Dias, que defendeu o judiciário como responsável por julgar os excessos.

O pedetista também fez duras críticas a proposta

Responsabilidade
O senador Pedro Taques (PDT-MT) também criticou duramente a sugestão de “controle da mídia” defendida pelo Partido dos Trabalhadores em sua última convenção. Na opinião do parlamentar, restringir a liberdade de imprensa é uma afronta à Constituição.

“A Constituição estabelece a liberdade de imprensa. É óbvio, é lógico que liberdade rima com responsabilidade. Agora, nós não podemos, sob pena de violarmos a Constituição da República, falar em regulamentação da imprensa”, disse.

Com informações da Agência Senado



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