Nacional
Atualizado em: 15/02/2020 - 10:09 am

Senadores de Roraima cobram ações para conter violência provocada por migração. Foto: Imigrantes venezuelanos em Pacaraima
Marcelo Camargo/Ag Brasil

A bancada de Roraima no Senado cobrou nesta semana, em sessão plenária, providências do governo federal no controle da violência e dos conflitos causados pela entrada de milhares de imigrantes venezuelanos no estado, pelo município de Pacaraima, que faz fronteira com a Venezuela.

Os senadores Chico Rodrigues (DEM-RR), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Telmário Mota (Pros-RR) criticaram a Lei de Migração (Lei 13.445, de 2017) e pediram atenção à cidade, que não possui estrutura e nem recursos para abrigar os refugiados.

De acordo com Telmário Mota, Pacaraima está “em guerra” devido ao considerável aumento no número de furtos, roubos e assassinatos, resultantes da crise política vivida pelo país vizinho.

“Roraima está no fundo do poço. É um povo hospitaleiro, é um povo amigo, acolhedor, mas não tem mais o que fazer, porque todo dia chegam milhares e milhares de pessoas”, declarou Telmário, afirmando ainda que a Lei de Migração “é muito flexível” e deve sofrer modificações para se adequar à realidade vivida pelo estado.

O senador Mecias de Jesus relatou que Pacaraima abriga, atualmente, cerca de 100 mil venezuelanos, o que aumenta a precariedade da segurança, da saúde e da educação e gera revolta da população local. O parlamentar citou o estupro brutal de uma adolescente de 15 anos, moradora de Pacaraima, que gerou uma série de protestos da população local, repreendidos de forma desproporcional pelas forças de segurança. O suspeito do crime também é da Venezuela.

Cobrança
Ao cobrar atenção ao estado, Mecias de Jesus declarou que o povo de Pacaraima se manifestou para dizer que também faz parte do Brasil. “Se o Brasil não nos vê, não nos enxerga, nós haveremos de fazer com que todo o Brasil nos tenha como brasileiros, porque brasileiros nós somos. E nós somos bons brasileiros”, pontuou. Mecias ressaltou que os roraimenses querem o direito de ter uma cidade tranquila com segurança, educação e saúde de qualidade.

Número
Segundo Chico Rodrigues, o número de imigrantes é impreciso, porque os governos federal e estadual e os órgãos de fiscalização e controle não têm o registro efetivo da quantidade de venezuelanos residentes em Roraima. “Esses refugiados venezuelanos, que são tangidos pela necessidade, pelo problema político que existe na Venezuela, vão se acomodando de qualquer forma no nosso estado e aí os problemas surgem, as crises se multiplicam, a população fica amedrontada, culminando, neste último final de semana, com um problema gravíssimo de defesa praticado pela nossa população”, destacou.

Chico Rodrigues ressaltou também a representação venezuelana na população carcerária de Roraima. Ele afirmou que são cerca de 2,4 mil detentos nas penitenciárias do estado, sendo mais de 350 refugiados. “Não é porque estavam fazendo uma obra de caridade, não é porque estavam ajudando a população. Estão lá porque cometeram delitos dos mais diferentes níveis”, concluiu.

Visita de Mourão
Em seu discurso, Chico Rodrigues disse esperar que a visita ao estado do do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, diminua, com ações do governo, a “presença indesejada dos venezuelanos”. Mourão viajou a Roraima nesta quarta-feira (12) para uma reunião da Operação Acolhida. Em seu Twitter, Mourão declarou ter acompanhado a atuação do Exército Brasileiro no atendimento aos imigrantes. “São 13 abrigos, que atendem como lares temporários aos afetados pela crise na Venezuela, entre eles o Abrigo Rondon 3, que visitei”, postou o vice-presidente.

Operação Acolhida
A Operação Acolhida teve início em março de 2018 com o objetivo de apoiar com pessoal, material e instalações a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, decorrente do fluxo migratório para o estado de Roraima, segundo o portal da Força Aérea Brasileira.

A ação humanitária é a primeira desenvolvida pelo Brasil em território nacional. Fato criticado pelo senador Telmário Mota, que defende o apoio brasileiro dentro do território venezuelano, como foi feito com o Haiti. “A acolhida do Exército Brasileiro tem excelência, é elogiada por todos. Mas é impossível, porque, todos os dias, são milhares e milhares que estão vindo. E o pior: no meio dessas pessoas, estão vindo delinquentes”, disse o parlamentar.

Com informações da Agência Senado



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