Nordeste
Atualizado em: 01/12/2013 - 9:14 am

Transposição do São Francisco produz vilas fantasmas

Transposição do São Francisco produz vilas fantasmas

Casinhas coloridas erguidas para famílias que tiveram que dar lugar a canais e barragens da transposição do rio São Francisco estão vazias e degradadas em ao menos duas cidades do Nordeste.

O projeto da transposição prevê 800 unidades em 17 vilas produtivas rurais. O governo federal promete concluir as casas em dezembro deste ano e transferir as famílias até o mês de maio do ano que vem.

Esquecidas
Em Sertânia (PE), no núcleo habitacional da Fazenda Salão, as casas estão prontas, mas com rachaduras e infiltrações. Faltam telhas. O acesso aos imóveis é restrito: corrente e cadeado fecham o portão de entrada.

Cidade fantasma
A vila de 20 casas lembra uma cidade fantasma. O mato toma conta do terreno, e só um vigia permanece por ali. “Só pode ir quando eles [governo] mandarem. Dizem que só quando água passar [pelos canais] é que a gente vai para lá”, disse o agricultor Francisco da Silva, que passa o dia sozinho na casa que era da sua mãe. Sua família fica na sede do município e só irá para lá quando a vila puder ser ocupada.

Atraso
Mas os canais da transposição do rio São Francisco só devem receber água do rio no final de 2015. Pela previsão inicial, as obras iniciadas em 2007 deveriam ter sido concluídas em 2012, mas problemas de projeto exigiram novas licitações, renegociação de contratos e interrupção do serviço por empreiteiras.

Apenas os dois lotes tocados pelo Exército estão prontos.Após meses de paralisação, as obras estão sendo retomadas lentamente. No trajeto dos canais, há concreto rachado, remendos e mato alto.

Beneficiados
Quando todos os 16 lotes forem concluídos, os canais levarão água a quatro Estados: Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

No Ceará
Em Mauriti, no interior do Ceará, as casas parecem prontas, mas também já mostram sinais de infiltração. As unidades do núcleo habitacional da fazenda do Descanso também não dispõem de energia elétrica.

Exército
Segundo o Ministério da Integração Nacional, a execução e fiscalização das obras das vilas são de responsabilidade do Exército. “Todas as inconformidades já estão sendo sanadas pela empresa contratada pelo Exército”, disse o ministério, em nota. “As famílias receberão as casas com todas as inconformidades sanadas”, acrescenta a pasta.

Com informações do Agência Estado



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