Ceará, Opinião
Atualizado em: 18/08/2012 - 5:54 pm

Governo do Estado pagou R$3milhões ao tenor espanhol. Evento fechado com cachê milionário pago com dinheiro público para um “grupo seleto”.

Eu tentei deixar pra lá. Com tantos novos desafios e o corre corre do período eleitoral, confesso que esperava ver minha indignação representada por outras vozes, em diversas áreas. O silêncio foi feito e a turma do deixa pra lá se faz maioria. Mas gente, não dá pra ficar calada! Não mesmo! E aí eu me pergunto: Será que só eu e alguns poucos nas redes sociais ficamos incomodados com o cachê pago ao tenor espanhol para a apresentação única no novo centro de eventos?

O show custou cerca de R$ 3 milhões e foi prestigiado por um seleto grupo com cerca de 3.000 empresários, políticos e jornalistas. Porque? Pra quê? Pra divulgar o Estado? Tudo bem, faz parte, mas a relação custo benefício é duvidosa nesse caso, nas raias do desperdício, pois os convidados poderiam ter sido agraciados com apresentações de qualidade por um preço bem menor. O valor da inauguração está no equipamento, ou deveria.

É uma questão de estilo administrativo. Pensar grande é bacana. Acredito, sinceramente, que é preciso ir além, fazer grandes investimentos. O Ceará merece ver artistas internacionais, ter espaços como o Centro de Eventos. Nada contra divulgar o Ceará com shows de qualidade. Mas 3 milhões de reais, do jeito que está colocado no Diário Oficial, é um exagero.


Não caio na crítica comum de chamar o governador de “megalomaníaco” como ví nas redes sociais. Não mesmo! Não acho que seja o caso. Não vejo nada demais em fazer um grande evento de inauguração. O problema é como ele foi feito e, pior, como ele foi apresentado à população.

São muitas as alternativas discutidas para justificar os gastos sem o flagrante absurdo. Cid Gomes poderia ter reservado um área VIP e liberado outra área?  Poderia ter firmado parceria com uma empresa de eventos que venderia os convites e pagaria o aluguel do espaço?  Poderia ter explicado à sociedade que gastar três milhões da forma como o fez é mais “barato” em termos de divulgação espontânea do que investir na publicidade direta para divulgar o espaço? A resposta é “sim” para todas a perguntas. Mas nada disso aconteceu.

A realidade que vimos foi um evento fechado, com cachê milionário pago com dinheiro público para um “grupo seleto”. E isso porque ninguém falou do buffet e das bebidas, tudo, claro, da melhor qualidade. Parece realmente demais, ou não?!

Agora já foi. Bocado comido, bocado esquecido.

Mas eu lembro de todas as vezes que o reveillon promovido pela prefeitura de Fortaleza foi bombardeado por políticos, jornalistas e até investigado pelo Ministério Público. Agora, o governo gasta R$ 3 milhões em um cachê e  ninguém faz nada? Como assim Bial?

Cadê o Ministério Público? Cadê aqueles incomodados com os gastos do reveillon da prefeitura? O barulho do silêncio incomoda.

Não venho aqui com aquela história de que tem gente morrendo em fila de hospital, recebendo atendimento no chão do HGF, passando fome, sofrendo com a seca e tal. Argumentos verdadeiros mas, de certa medida, contestáveis pelos gestores. Tudo por causa do tal orçamento que divide dinheiro para cultura, educação, saúde…. Tudo dentro de um planejamento que não permite, por exemplo, transferir o recurso destinado a um show para a construção de uma escola. Um contrassenso orientado pela legislação brasileira.

Reconheço a importância de grandes investimentos como o Centro de Feiras e Eventos e o Acquário. Não sou contra. Tenho observações, acho por exemplo que o investimento deveria sair de uma parceria público-privada, mas isso é uma outra história e nem de longe me deixa indignada. Mas, repito, três milhões pra bancar um show é demais.

A indignação aumenta quando olhamos que, segundo o site da revista Época, Domingo faz apresentações únicas com cachês de US$ 70 mil nos EUA e Europa, por exemplo. Por que aqui no Ceará a apresentação custou tão caro?

Pior: Após o show de Plácido Domingos, o equipamento será oficialmente inaugurado neste sábado (18), com o “Giro Cultural”, que contará com “apresentações artísticas, culturais e esportivas” abertas ao público. Serão sete atrações musicais e segundo o  Diário Oficial, a Casa Civil gastará R$ 847.000,00 com a contratação dos artístas. Ou seja, as sete atrações custarão um terço do valor pago por show de Plácido Domingo. Só pra se ter uma ideia, o show mais caro é a cantora baiana Daniela Mercury, que custará R$ 245 mil para os cofres públicos, cerca de 8% do valor dispendido com o internacional Plácido Domingo.

A essa altura nem é mais o valor que choca, o mais estranho é a apatia de todos nós. Será que é isso?Pronto? Entregamos a chave do cofre e vamos engolir qualquer eventual exagero sem nenhum pio? Espero que não.

Por isso, para não deixar que o assunto prospere, seria e bom grado que a Casa Civil adotasse medidas de transparência  para saber, afinal, como se chegou a esse valor.



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