Ceará, Greve, Vídeos
Atualizado em: 12/07/2011 - 7:32 pm

Os Policiais Civis do Estado do Ceará decidiram continuar a greve iniciada no dia 2 deste mês, mesmo depois da Justiça ter decretado a ilegalidade do movimento. A decisão foi tomada após Assembleia Geral realizada na noite desta segunda-feira (11), na sede do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Ceará (Sinpoci).

Por unanimidade a categoria votou pela continuação da greve até a próxima segunda-feira (18), quando será deliberada a continuação ou não da greve. A paralisação já dura dez dias.

Acompanhe a reportagem exibida no Jornal Jangadeiro



1 comentário







1 comentário
Topo | Home


Salvador | quarta-feira julho 13 2011 | 12:57

“Senhores e senhoras, venho através deste texto tentar apresentar à Sociedade Brasileira o descaso com o servidor público nos Estados do nosso território nacional, em especial com os servidores da Segurança Pública. Como não se sentir indignado diante de uma cena como aquela dos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro serem tratados como “criminosos” aos olhos do Governador daquele Estado? Como ter esperança na votação das Propostas de Emenda Constitucional 300/08 e 446/06 diante do vergonhoso grau de desinteresse dos parlamentares do Congresso Nacional? Como não se sensibilizar com a atitude de “desesperados heróis da sociedade” tendo de recorrer à GREVE DE FOME para tentar concretizar o simples sonho do RECONHECIMENTO?!
A população cearense está sofrendo sérios prejuízos ao seu legítimo direito à prestação de um serviço público de qualidade com a eclosão de reivindicações trabalhistas, através de movimentos grevistas, de várias categorias (policiais civis, peritos criminais, DETRAN, professores, etc.). Tudo isso por conta de uma prejudicial jactância política e pessoal por parte do chefe do Executivo, senhor Cid Ferreira Gomes. Tem de se chegar ao conhecimento da Sociedade Brasileira que os movimentos paredistas deflagrados por todo o Brasil infelizmente são a única ferramenta que o “carcomido” servidor público tem de tentar uma negociação com os chefes do executivo. Pois estes só conseguem ouvir o nosso clamor através do eco gerado na sociedade.
Os policiais civis do Estado do Ceará estão em estado de greve há 12 dias. Nesse ínterim, não houve por parte do Governador do Estado nenhuma tentativa de abrir um verdadeiro canal de comunicação para a mediação dos respectivos interesses do Governo e da categoria. Muito pelo contrário, houve uma tentativa por parte do mandatário do executivo estadual, através do Procurador- Geral do Estado, de “asfixiar” o movimento por intermédio de uma decisão (in)competente de um magistrado da fazenda pública (recorremos dessa decisão, através do departamento jurídico do nosso sindicato, com o agravo de instrumento nº 0004900-04.2011.8.06.0000 no TJCE).
Vou tentar deixar um pouco claro nesses próximos parágrafos alguns motivos que fizeram a categoria policial civil do Estado do Ceará tomar uma atitude drástica, mas constitucionalmente assegurada. Várias tentativas de abrir um verdadeiro canal de comunicação com o Governador do Estado do Ceará falharam. Isso já se arrasta há anos. Quando a categoria não viu mais nenhuma luz no fim do túnel, somada a terrível condição de trabalho, não se teve outra possibilidade senão o movimento paredista. Uma das coisas que mais aflige o servidor policial, além de um salário não condizente com a sua perigosa função, é a degradante condição de trabalho atual. Xadrezes amontoados de presos (seres humanos, aglomerados como bichos em espaços potencialmente danosos à saúde. Alguns até com doenças contagiosas como tuberculose, Hepatites e AIDS). O lugar desses infratores da justiça não é em delegacias, mas, sim, em presídios e em casas de custódia. Sabemos que nem todos os criminosos são presos na flagrância do delito. Isso traz uma grande sensação de IMPUNIDADE perante à Sociedade. Nossa função-mor é ELUCIDAR CRIMES, através de investigações. Somos profissionais nisso! Trazemos justiça a uma Sociedade tão injusta.
Porém, nossa principal função há muito tempo é ENTREGAR CAFÉ DA MANHÃ a presos da justiça cearense e levá-los a hospitais para tratamento de saúde! São dois, três policiais tomando conta de 40, 50 presos! Recentemente, mês de maio desse ano, houve um triste episódio de resgate e morte em uma delegacia de polícia em nossa capital. Dois policiais saíram feridos nessa ação. Quem verdadeiramente perde com essa situação?! A sociedade cearense. Há décadas, o nosso efetivo vem caindo vertiginosamente. Atualmente, não chegamos a 2.000 profissionais (inspetores e escrivães) para uma população de mais de 8 milhões de pessoas! Em São Paulo, esse número gira em torno de 26.000 (investigadores e escrivães). Não somos nem 10 por cento do efetivo daquele Estado. É quase impraticável assegurar um bom trabalho nessas condições.
Em raros momentos, o nosso mandatário administrativo reconhece essa difícil tarefa a nós imputada. Na maioria das vezes, quando se pode levar alguma vantagem política isso acontece. São VIDAS HUMANAS!!! Tragadas no cumprimento do dever e na defesa da Ordem Pública de uma forma traumática para os entes queridos que ficam. Nossa atividade é muito gratificante, pois temos honra e coragem para enfrentar esse grande problema. Entretanto, precisamos como qualquer outro profissional de atenção, respeito e, principalmente, RECONHECIMENTO! Somos seres humanos, também. Temos sonhos, desejos. Queremos tentar dar o melhor para as nossas famílias. Peço, em nome dos profissionais da Segurança Pública do nosso Estado, que os senhores e as senhoras cidadãos compromissados com a reflexão imparcial da atual situação da Segurança Pública levantem essa justa bandeira e apóiem uma categoria tão imprescindível à construção de uma Nação JUSTA, DEMOCRÁTICA e CIVILIZADA.”