Com a palavra
Atualizado em: 06/07/2011 - 6:36 pm

Alfredo Nascimento, agora ex-titular do Ministério dos Transportes, foi desmascarado como chefe de um esquema de corrupção que superfaturava e fraudava licitações. Seus principais assessores caíram no início da semana e hoje (06) o próprio ministro não  resistiu a avalanche de acusações que desabou sobre ele.

Muitos imaginam, embalados por certo ufanismo provinciano, que o inferno político de Alfredo Nascimento foi obra do governador cearense Cid Gomes, seu desafeto. Engano. Realmente Cid fez acusações contra o ministro, mas foi genérico ao dizer que “aquele Ministério dos Transportes e o Dnit, é uma laia, é um antro de roubalheira”.

Ora, disso até as paredes dos gabinetes na Esplanada dos Ministério e do Palácio do Alvorada sabiam. Alguns ministérios são loteados entre partidos aliados como forma de pagamento pela adesão ao governo. São chamados de “feudos”. Assim como os Transportes era do Partido da República, o Ministério dos Esportes é do PC do B, a Previdência e Minas e Energia são do PMDB, e por aí vai. Infelizmente, essa malandragem já é meio que uma tradição na política brasileira.

Na verdade, Cid deixou no ar que saberia de algo mais preciso e que poderia usar isso caso o descalabro nas estradas federais no Ceará não fosse amenizado com algumas obras de manutenção. Mas disso não passou. O governador teve a oportunidade de desmascarar o esquema no STF, por ocasião de um processo que Alfredo Nascimento moveu contra ele, mas preferiu ser discreto, protegido por sua base na Assembleia Legislativa, que não autorizou o trâmite da ação. Assim, Cid não pode dizer, “nas barras da Justiça”, onde disse que se pronunciaria, como a “roubalheira” acontecia e quem eram seus beneficiários.

Quem fez isso foi a imprensa. mais precisamente a revista Veja (que segundo Cid, “mente” aos leitores quando a denúncia é sobre o seu governo), e depois a resvista ISTOÉ, esta com direito a divulgação de vídeo na internet. Não é por acaso que setores governistas sonham com o controle da imprensa.

Cabe agora ao governador Cid Gomes dizer se os ilícitos veiculados no noticiário são os mesmos que afirmou conhecer, ou se existem mais denúncias a fazer. Não se trata de um escolha, de um direito, mas de uma obrigação, um dever moral e legal, sob pena de prevaricação.

Wanderley Filho – Historiador e editor do Jangadeiro Online

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