Ceará

Arquivo: “Se alguém age errado é pra ser demitido sumariamente”, diz Cid sobre consignados

Cid Gomes durante entrevista para o programa Primeiro Plano da TV Jangadeiro. Foto: reprodução da TV Jangadeiro

Em meio a polêmica sobre o caso dos empréstimos consignados com denúncias de tráfico de influência e favorecimento envolvendo representante da alta cúpula do governo Cid Gomes, fui bucar nos arquivos declarações do governador sobre o tema.

No escasso material, relembro e divido com vocês a visita surpresa que Cid Gomes fez à Assembleia Legislativa em dezembro de 2011.

Palavras de Cid Gomes
Em uma das poucas manifestação públicas sobre o assunto, no fim do ano passado, o governador Cid Gomes foi enfático ao rebater denúncias de tráfico de influência no governo e disse que não tolera desvios éticos.

“Se alguém age errado é pra ser demitido sumariamente. Eu sou o responsável pelo governo. Se eu sou sério e meu governo é desonesto, no mínimo eu sou inciompetente, imbecial. Não vou permitir que o meu governo seja desonesto se eu não sou desonesto”, disse.

Sem demissão
Sete meses depois da denúncia, ninguém foi afastado muito menos demitido. O governo ainda não admite irregularidades apesar de rescindir o contrato com a ABC e propor a reformulação do sistema de empréstimos.

Saiba mais:
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De frente para a oposição
Ainda na visita surpresa a Assembleia, o governador entrou no embate direto com a oposição. Partiu do deputado Heitor Férrer o questionamento sobre a suposta atuação do secretário chefe da casa civil, Arialdo Pinho, no sistema de empréstimos consignados que beneficiaria o genro do próprio Arialdo. “Eu nunca lhe chamei de desonesto. O mesmo não posso dizer do seu governo”, disse o deputado ao usar a palavra para questionar o governador sobre os 19% que seriam repassados pelos agentes financeiros para o genro de Arialdo Pinho.

“Cuidado”
Cid Gomes respondeu primeiro em tom de alerta. “Cuidado para não morder a língua. Cuidado para não ser vítima do mesmo oportunismo caso planeje assumir um espaço no Executivo”, disse Cid ao deputado.

“Eu não acredito”
Depois o governador demonstrou um misto de indignação e incredulidade. “Eu não acredito, eu não acredito!” disse para em seguida completar afirmando que “Eu estou absolutamente tranquilo. Uma coisa que incomoda é a indicação de suspeição, de desonestidade. Há quem defenda a tese de que eu não devia remoer porque esse assunto já saiu do noticiário, mas eu não tenho nada a temer. Em nome de que eu vou ser cúmplice com qualquer ato de desonestidade? Isso fere de morte, tira a credibilidade de um governo. Se eu não sou desonesto, não vou permitir que meu governo seja. Eu não roubo nem deixo roubar. Se alguém está roubando, me diga, mas me diga mesmo”, desafiou.

Bradesco
O governador ainda disse que estaria disposto a chamar o banco Bradesco para saber se a instituição estaria pagando comissão, como afirma a denúncia, ao genro do secretário Arialdo Pinho. “Eu sou capaz de chamar o Bradesco aqui. Mas eu não acredito, eu não acredito que o Bradesco faça isso, se tiver é um imbecil. Se tivesse, [o Bradesco] já teria procurado o secretário [da Fazenda] Mauro Filho para dizer que alguém [do governo] estava querendo extorquir”, disparou.

Veja alguns trechos das declarações de Cid Gomes na reportagem abaixo:

[youtube]http://youtu.be/05XeV30VWxw[/youtube]


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