Greve

Assembleia geral dos professores termina em confusão

Anízio Melo, presidente do sindicato Apeoc, precisou de escolta para deixar o ginásio. Foto: Izaias Vieira

Os professores da rede pública estadual de ensino decidiram, em assembleia geral realizada na manhã desta sexta-feira (25), no Ginásio Paulo Sarasate, dar continuidade às negociações com o Governo do Estado ao invés de declarar uma nova greve da categoria.

A proposta feita pelo Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc) foi aceita com alta margem de votos. Mas a decisão revoltou parte dos manifestantes que apoiavam a nova paralisação.

Confusão
Após o anúncio da decisão, houve um princípio de tumulto e alguns professores arremessaram objetos e cadeiras contra o palanque. Um grupo de manifestantes chegou a derrubar as grades de proteção e invadir o espaço onde eram feitos os discursos.

O presidente da Apeoc, Anízio Melo, teve de ser escoltado por seguranças para deixar a assembleia devido ao risco de ser agredido.

Denúncia
Alguns professores denunciam que o Governo do Estado incentivando a formação de grupos de professores do interior do Estado que teriam vindo a Fortaleza para votar, durante assembleia desta sexta-feira (25), contra a deflagração de uma nova greve.

Educadores também acusam o Sindicato dos Professores e Servidores em Educação do Estado do Ceará (Apeoc) de trabalhar para encerrar a mobilização, evitando uma nova greve, mesmo sem que a categoria tenha as reivindicações atendidas.

Greve
No dia 11 de novembro, em votação acirrada, os manifestantes resolveram encerrar a greve deflagrada no dia 5 de agosto (durou 63 dias) e propuseram uma nova paralisação que pode ser iniciada no dia 28. A categoria recusa o reajuste de 15% oferecido pelo governador Cid Gomes.

Proposta
Os servidores receberam uma proposta no último dia 4 de novembro, do Governo do Estado do Ceará, para reajuste de salário. A categoria pode receber 15% de acréscimo, que seria implantado em duas parcelas. A primeira, de 7,5%, retroativa a 1º de novembro, já seria recebida neste mês; e a segunda, de outros 7,5%, valeria a partir de 1º de janeiro de 2012. Além dos 15%, o Governo propôs gratificação de 20% para professores com título de mestrado e 30% para doutores.

Protesto
Educadores, estudantes e pais de alunos estiveram reunidos na tarde desta quinta-feira (24), na Praça do Ferreira, em Fortaleza, para protestar contra as ameaças e o assédio moral que os professores da rede pública estadual afirmam estar recebendo do Governo do Estado. A mobilização começou com uma passeata pelas ruas do centro, a partir da Praça da Bandeira.

Os educadores reivindicam o cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério com repercussão na carreira, além da garantia de 1/3 da carga horária para planejamento de aulas.

Veja a reportagem exibida no Jornal Jangadeiro:

Com informações da repórter Kamila Ladeira

4 thoughts on “Assembleia geral dos professores termina em confusão

  1. Isso é o nosso governo e um sindicato pelego! Um professor custa para os cofres do estado menos que um preso. Um preso custo 1500 por mês para o estado e um professor 1080.

  2. Assiti a um momento triste na história da educação do Estado do Ceará, uma pergunta passeia dentro da minha mente, quem pagou os ônibus e toda infra-estrutura para os professores que viajaram do interior até a Capital Alencarina, por que em nenhum outro momento estes professores estiveram em Fortaleza, onde estavam esses valentes professores no dia que correu sangue na Assembleia Legislativa, onde estavam esses professores guerreiros durante o período de greve, quando fizemos diversas manifestações, enfrentamos o batalhão de choque que trancava as ruas de Fortaleza, para que não continuassemos as nossas passeatas, realmente é triste, no entanto fiquem cientes, vocês estão no mesmo barco que nós, irão beber da mesma água. Nao adianta depois estarem chorando, pois o leite já foi derramado, este resultado só interessa a duas pessoas, APEOC e o Governo. Professores especialistas que é a grande maioria, encontram-se hoje no nível 12, ou seja antigo nível 24, e diga-se de passagem, há anos vários colegas estão parados. Na grande vitória colocada pela APEOC e que vocês professores do interior assinaram embaixo, não existe descompressão, são mais anos parados, sem previsão de nada. A carreira foi separada, somente 250 professores, sendo 113 na ativa e o restante aposentado, irão receber 22% de aumento a partir de 1º de janeiro de 2012. Quem é inteligente sabe, em pouco tempo, nós estaremos ganhando igual a estes 250 professores, vejam, estacionado no nível e recebendo somente a inflação, nossos colegas irão nos acompanhar, este é realmente o plano do Governo e seus Técnicos, deixar todos professores ganhando no máximo três salários minímos. Não se espantem colegas professores do interior, pois a arapuca foi bem armada, agora estamos todos presos e condenados, é uma pena, porém é a realidade.

  3. É lamentável a postura do sindicato APEOC, pelas manobras realizadas durante todos esses dias de mobilização. Os professores temporários, que não têm vínculo nem carreira no Estado, decidiram pelos outros professores que têm vínculo e estão lutando por uma carreira digna. É extremamente lamentável. Como professora efetiva e sindicalizada, não me sinto representada por esse sindicato, nem juridicamente, muito menos ideologicamente.

  4. Esta foi a primeira vez que participei de uma Assembléia Geral do sindicato apeoc, vim do interior e ainda não estava convicto do meu posicionamento. No entanto não consegui ouvi os esclarecimentos nem contra e nem a favor, pois alguns professores ou supostos educadores não nos permitiram ouvir. Nós do interior fomos chamados de alienados, matutos, vacas de currais entre outros termos pejorativos. Somos sindicalizados, contribuímos e financiamos o movimento e vergonha é ver um bando de bandido e vagabundo metido na educação e ser chamado de educador. Vergonha é ver desrespeitado o estado democrático de direitos e promover discriminação e até violência com aqueles que pensam diferente . É mentira que a Crede estava selecionando professores que queriam votar, o que ocorreu foi que decidimos que os rumos do movimento não podiamm ser definidos somente pelos professores da capital. Professores do interior e da capital, efetivos e temporários, aposentados e na ativa, todos tem o direitos a se manifestarem contra ou a favor. Radicais e prepotentes da capital, professores super inteligentes mudem as regras do jogo, excluam do sindicato os professores do interior, gestores, o pessoal da seduc e aqueles que pensam diferente de vocês; talvez assim vocês façam uma educação melhor. Eu estou triste com o posicionamento de muitos professores da capital, com a falta de educação e é isto efetivamente o que eles pensam sobre os professores do interior. Tinha um rapaz que levava uma faixa exigindo do governador valorização e respeito, mas nem mesmo ele conseguia respeitar seus colegas.

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