Bastidores

Bancada do PMDB deve decidir até a próxima terça se Renan segue na liderança

Parlamentares se reuniram na quarta e relatam desconforto com posicionamentos de senador alagoano contrários ao governo do presidente Michel Temer

Em uma breve reunião na noite de quarta-feira (24), os senadores do PMDB estabeleceram a próxima terça-feira (30) como data-limite para definir se Renan Calheiros (PMDB-AL) permanecerá no posto de líder da bancada.

O PMDB forma a maior bancada do Senado, com 22 parlamentares, e colegas de Renan têm relatado desconforto com os posicionamentos que ele tem adotado contrários às reformas da Previdência e trabalhista, propostas pelo governo, e ao próprio presidente Michel Temer.

Ao todo, participaram da reunião da noite desta quarta 14 senadores do PMDB, entre eles o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“Puxa-saco”
Na sessão des quarta do Senado, Renan discutiu com Romero Jucá (PMDB-RR) e chegou a bater-boca com Waldemir Moka (PMDB-MS), a quem acusou de ser “puxa-saco” do governo Temer. Moka, por sua vez, disse que Renan “há muito tempo não fala mais como líder da bancada”.

O que dizem os senadores
Após a reunião, Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse achar difícil que Renan permaneça na liderança do PMDB no Senado se mantiver a postura de confronto com o Palácio do Planalto. “Eu acho difícil a permanência dele. Eu disse a ele, ele não está entendendo a representatividade da bancada. A bancada majoritariamente não está se sentindo representada por ele na hora que ele se insurge contra as reformas”, disse Garibaldi.

Em seguida, a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), também presente à reunião da bancada, disse que os colegas de partido estão “bem posicionados” sobre a questão de que “o líder tem sempre que representar o pensamento da maioria”. “[Se Renan] decidir representar o pensamento da maioria, sem nenhum confronto, ele poderá ter a chance de permanecer na liderança. Mas, se ele quiser colocar o pensamento dele se sobrepondo a outros, eu acho difícil que permaneça”, acrescentou.

‘Botar canga’
Após a reunião, Renan foi procurado para comentar o assunto e disse não saber se a insatisfação da bancada é com ele ou com o governo do presidente Michel Temer. “A mais difícil missão do líder é interpretar o sentimento de cada um dos senadores”, disse. O líder acrescentou, ainda, que ninguém vai “botar canga” nele. “Você acha que alguém vai botar canga em mim?”, questionou. A expressão “botar canga” é utilizada como sinônimo de “dominação” e “opressão”.

Com informações do G1


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