Ceará

Por acordo: Governo e PM’s voltam a negociar

Protesto terminou em tumulto durante movimento grevista da PM (Foto: Weberte Lemos)

O dia de caos gerado em Fortaleza por conta de greve dos policiais e bombeiros militares completa um mês nesta sexta-feira (3). Depois das horas de insegurança, em que foram registrados arrastões e estabelecimentos comerciais tiveram de fechar as portas mais cedo em várias cidades, a categoria resolveu retomar as atividades.

Um dos grandes impasses para o fim do movimento foi a dificuldade de negociações com o Governo do Estado, que chegou a acionar a Força Nacional de Segurança e as Forças Armadas antes de sentar com os sindicatos que representavam os militares.

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Reunião
Um mês depois do ápice da crise na segurança pública do Estado,  representantes do Governo do Estado devem receber entidades representativas de policiais e bombeiros militares, a partir das 14h, na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). O objetivo do encontro é dar continuidade às negociações com a categoria, como foi acordado durante a paralisação dos servidores.

Serão discutidas questões como a análise da Campanha Salarial de 2012 a 2014, adequação do auxílio alimentação, implantação de promoções compensatórias e reformulação do Código de Ética da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, com o intuito de combater o assédio moral.

Ainda não foi confirmada a presença do governador Cid Gomes (PSB) na reunião.

Policiais vestiram camisas vermelhas em protesto (Foto: Marlos Araújo/TV Jangadeiro)

50% das exigências
O termo de acordo assinado por representantes do Governo do Estado e o comando de greve dos policiais e bombeiros militares, assinado na madrugada do dia 4 de janeiro, contemplou 50% das reivindicações feitas pela categoria. Das três, entre seis exigências feitas, estão:

– O pagamento de R$ 920,18 de gratificação a todos os policiais, visto que o benefício era repassado apenas aos militares que trabalhavam de madrugada;
– A diminuição da carga horária dos policiais de 44 para 40 horas semanais;
– Anistia ampla para os participantes da greve e não instauração de processo administrativo aos envolvidos no movimento desde novembro de 2011.

Crise na Bahia
O Estado da Bahia está enfrentando algo semelhante ao que foi vivido pelos cearenses. Desde a última terça-feira (31), os policiais militares paralisaram as atividades. Desde então, uma série de ações criminosas foram registradas, principalmente em Salvador.

Assim como no caso local, o Governador do Estado, Jacques Wagner (PT), decretou situação de emergência e solicitou a presença da Força Nacional de Segurança.

Movimentos pelo Brasil
Apesar da ilegalidade de greve para militares, diversos Estados brasileiros sofreram com protestos e paralisações de policiais e bombeiros em 2011. Em junho, os bombeiros do Rio de Janeiro realizaram um movimento similar ao visto no Ceará nos últimos dias.

Cerca de 2 mil homens, acompanhados de mulheres e crianças, ocuparam o Quartel Central da corporação por 14 dias. Eles pediam a negociação do reajuste salarial, auxílio-transporte, melhores condições de trabalho e, em seguida, anistia aos envolvidos no movimento. O aumento nos salários e a anistia foram as principais conquistas da categoria.

Também em junho, os policiais e bombeiros militares de Minas Gerais permaneceram em estado de greve, com apenas 30% do efetivo trabalhando, por aproximadamente um mês. Eles aceitaram a proposta de reajuste de 69% parcelado até 2015.

No mês de agosto, os PMs do Piauí paralisaram as atividades em todo o Estado. Eles pediam que seus salários fossem equiparados aos dos policiais civis, em R$ 2,5 mil. Nesta ocasião, o Governo solicitou a presença da Força Nacional de Segurança para fazer o policiamento no território. Depois de sete dias parados, a categoria aceitou reajuste de 117% para soldados de 104% para cabos em até quatro anos.

O movimento que antecedeu a paralisação no Ceará aconteceu no Maranhão. No final do mês de novembro, os policiais militares decretaram greve e acamparam por nove dias em frente a Assembleia Legislativa, em São Luís. Os manifestantes conseguiram progressão do salário para R$ 2.564 em 2014, anistia dos participantes do movimento, criação de comissão para acompanhar projetos de interesses de militares, elaboração de um código de ética, carga horária de 40 horas semanais e criação de lei de promoções.

Da Redação do Jangadeiro Online