Lava Jato

Cartel na Petrobras era “regra do jogo” e quem não pagava “estava fora”

Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht, afirmou que o esquema se tornou efetivo principalmente de 2004 em diante

O ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria afirmou em depoimento da delação premiada que cartel era a “regra do jogo” no caso da Petrobras e acrescentou que “quem não pagava, tava fora”.

De acordo com o delator, o esquema, liderado por Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC, se instalou principalmente a partir de 2004. Ele diz que trabalhou anos com a Petrobras e que “não tinha isso antes”.

“No caso da Petrobras não tinha jeito. Era realmente a regra do jogo. Se você não tivesse, eles não te ajudavam em nada. Você vai ver nos relatos que vou fazer para o senhor. Contratam, mas tinha que pagar. Caso ou outro que não pagava e quem não pagava tava [sic] fora. Era realmente a regra do jogo na Petrobras, que se instalou principalmente a partir de 2004, por aí. Trabalho há anos, desde, não tinha isso na Petrobras”, declarou ele.

Distribuição
Segundo Márcio Faria, um grupo de empresas se reunia trimestralmente para definir, individualmente ou em consórcio, como seriam distribuídas as obras na Petrobras. O objetivo, segundo o delator, era distribuir as obras para cada empresa pela especialidade, tamanho do contrato, se seria individual ou em consórcio e quais empresas dariam cobertura em função da vencedora. “Essas reuniões ocorriam, não tinha assim um cronograma estabelecido. Ela ocorria trimestralmente, as vezes menos dependendo da demanda e a quantidade de projetos que estivesse ou na rua ou pra sair. Normalmente muitas reuniões na UTC”, afirmou o delator.

‘Clube das empreiteiras’
Ao longo das investigações da Lava Jato, executivos de outras empresas contaram às autoridades sobre a existência do chamado “clube das empreiteiras”. Em 2015, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, dono da Setal Engenharia, disse que o “clube” das empreiteiras passou a combinar resultados de licitações da Petrobras desde meados da década de 1990 e que o cartel passou a ter efetividade a partir de 2004. Também em depoimento em 2015, o ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada disse que as empreiteiras acertavam as “preferências” por cada obra de um pacote de licitações da estatal.

Com informações do G1


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