Câmara dos Deputados

Cearenses divergem sobre aprovação da reforma da Previdência em plenário

Chico Lopes avalia que texto aprovado em comissão não passará em plenário

O texto da reforma previdenciária aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, na última terça-feira (09), opõe entidades e sindicalistas e também gera divergência entre os parlamentares, até entre aliados do governo Michel Temer.

Para quem defende a reforma, as mudanças são vistas como favoráveis ao desenvolvimento do País. Para os que estão do outro lado da trincheira, as alterações retiram direitos e prejudicam o trabalhador.

O texto, alterado nos principais pontos, foi aprovado na última terça-feira, na comissão especial e segue para análise do plenário da Câmara dos Deputados.

Lopes
Para o deputado Chico Lopes (PCdoB), a votação da reforma previdência no plenário da Casa não será fácil, embora tenha passado pelo crivo da comissão especial. Ainda segundo ele, o governo tem pressionado os parlamentares que continuam indecisos. “Na comissão especial, para agradar ao governo Temer, a reforma passou tranquila, mas, no plenário, não vai ser fácil, porque ainda há muita divisão prevalecendo o lado da reprovação”, frisou ele, acrescentando “a brilhante coroa do Temer é a previdência, porque o setor tem muito dinheiro e nas demais áreas de reforma praticamente não há dinheiro”.

O parlamentar destacou também que a reforma da previdência “vai tirar direitos conquistados pelos trabalhadores” brasileiros, sobretudo no que diz respeito a idade mínima estabelecida em 65 anos para homens e 62 para mulheres. “Uma pessoa com 65 anos de idade não tem mais a agilidade para continuar trabalhando e, isso vai levá-la a morte bem rapidamente. Isso significa trabalhar a vida toda para ganhar uma aposentadoria que vai ter tempo curto de duração e, isso é muito bom só para a previdência”, pontuou.

Odorico
O deputado Odorico Monteiro assegurou que o Pros votará contra a medida. O parlamentar lembrou que quatro dos cinco deputados federais do partido, já votaram contra a reforma trabalhista e, isso “vai acontecer agora contra a reforma previdenciária”. O parlamentar informa que o partido, em nível nacional, já decidiu votar contra a reforma da previdência. Ele prevê que agora os cinco parlamentares do Pros votarão contra a matéria.

“Para votar uma reforma dessa envergadura, que vai causar prejuízo ao trabalhador brasileiro, o parlamentar tem que pensar dez vezes antes de dar o seu voto”, disse ele, defendendo que os partidos que apóiam a reforma levem o debate para as eleições de 2018. Se esses partidos, segundo ele, tiverem maioria, a reforma pode ser aprovada.

Guimarães
O deputado José Nobre Guimarães (PT) sugeriu que o relatório da reforma é “mal feito”, porque expressa aquilo que o governo Temer, segundo ele, quer impor no ponto de vista das aposentadorias. “A batalha principal é a do plenário, porque o governo trocou seis membros da comissão e, portanto, o governo tem voto para aprovar a matéria na comissão, mas, no plenário a coisa vai ser diferente, por ele o governo vai ter uma derrota”, arrisca ele, ressaltando que, no plenário, a matéria vai ser decidida por voto e, por isso, “o governo não pode trocar parlamentar como fez na comissão”.

O parlamentar adiantou que já está sendo feito um trabalho corpo a corpo entre os deputados que são contra e favor da reforma, mas já há existe maioria do lado que vai votar contra a proposta. Ainda segundo ele, o Governo só quer votar a matéria em junho. A ideia, de acordo com o petista, é ganhar tempo para tentar convencer os deputados, que já declararam votos contrários a proposta. Guimarães garantiu que novas manifestações ocorrerão, como forma de pressionar contra a aprovação da matéria. O parlamentar adiantou que entidades sindicais já organizam uma ocupação em Brasília para o próximo dia 16 de maio.

Gorete
A deputada Gorete Pereira (PR) é favorável a reforma e disse que as alterações são importantes para o País voltar ao crescimento. Ela assegura que a reforma da previdência não vai retirar direitos já conquistados e, somente, depois que a matéria for aprovada, vai mexer com as futuras aposentadorias. Essa reforma, conforme a parlamentar, tem o sentido maior de reduzir o gigante déficit da previdência e que, se nada for feito para parar isso, a previdência vai ficar insustentável. “Se a reforma da previdência não for feita agora, daqui a dois anos vão tirar trinta por cento de cada aposentado”, disse. Gorete Pereira, entretanto, defendeu a cobrança dos R$ 100 bilhões devidos por ruralistas à Previdência.

Prefeito
Para José Arnon Bezerra, prefeito de Juazeiro do Norte e ex-deputado federal, a reforma da previdência é “remédio amargo, mas é o que vai resolver a doença que continua avançando”. Arnon Bezerra ressalta que não vê outra saída que não seja aumentar a idade para aposentadoria, porque, segundo ele, o rombo continua aumentando. E enfatiza: “sei que ninguém quer ter prejuízo, mas o caso da previdência social do Brasil, não tem outro jeito”. Arnon afirma que “é melhor perder pouco agora que muito no futuro, que poderia afetar também o pagamento de aposentados e pensionistas.

O prefeito lembra que tem visto notícias dando conta de que a economia brasileira já está começando a reagir com o caminhar das reformas, mas, “até agora, pessoalmente, não deu para perceber nada”. Por outro lado, reconhece que já há muita esperança de que o crescimento venha a acontecer, “porque a inflação continua baixando e, isso, é sinal de melhora”.

Com informações do OE


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